Iguatemi

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sábado, 26 de julho de 2014

A família que Deus quis pra mim


Sou avó com muito orgulho, de nove seres iluminados, que Deus permitiu viessem a esse mundo para uma nova jornada, em que figurariam como netos e eu como avó. Digo isso, porque, na Doutrina Espírita não existe hierarquia espiritual. No mundo dos espíritos, somos apenas seres a caminho da evolução que, submetidos ao plano divino nos agrupamos em torno de uma família para a realização de um projeto maior. 

Tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes, apesar de fazerem parte de uma só família, mas com o encargo de construírem sua história de forma individual. Como avó, aqui me encontro imbuída do propósito de auxiliá-los naquilo que estiver ao meu alcance.


O essencial faz a vida valer a pena.




O Poeta tem a habilidade de sentir e expressar sentimentos com os quais nos identificamos, sem que saibamos como expressá-los de forma tão natural. Daí ter me identificado tanto, com esse texto do Rubem Alves. Ele auscultou minha alma e transcreveu essa bela página que reproduzo abaixo.

Rubem Alves retornou à pátria espiritual, mas, deixou extensa literatura que vale a pena ser apreciada. Particularmente, me identifico muito com sua obra.


"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral ou semelhante bobagem, seja ela qual for.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!"


Rubem Alves

domingo, 13 de julho de 2014

Relato da luta de uma jovem paquistanesa pelo direito à educação



Terminei a leitura do livro Eu sou Malala e confesso que apesar dos noticiários relatarem a situação de países como o em que nasceu e cresceu Malala, nada se compara ao relato dela, sobre como a região em que vivia foi aos poucos sendo dominada pelos Talibãs e pior, a condição em que as mulheres são criadas, sem direito a educação e até mesmo ir e vir, sem a companhia de um homem, que seja seu pai ou um familiar. 

Utilizando uma FM clandestina, os talibãs começam a envolver a população do vale do Swat no Paquistão, transmitindo ensinamentos do Corão e, paulatinamente, foram ganhando a confiança das pessoas que, totalmente desassitidas pelo governo local, passaram a buscar ajuda para a resolução de problemas há muito sem solução. Os problemas tinham resolução imediata, mesmo que a força fosse utilizada, recurso aprovado pelo povo da região, instruídos na lei do olho por olho e dente por dente.

Não demorou muito para que as mulheres da região fossem orientadas a fazerem doação de suas jóias de famílias, o que favoreceu a construção de abrigos e compra de armas pesadas para os talibãs, que passaram a circular pela cidade, em carros munidos de metralhadoras e, em pouco tempo, expulsaram o policiamento local, ficando o comando da região entregue aos talibãs.

Daí em diante, as mulheres passaram a ser aconselhadas a deixarem de ir às escolas e seus nomes eram citados na emissora de rádio e parabenizadas. Não demorou muito para que as escolas fossem proibidas de lecionarem para mulheres, sendo inúmeras delas fechadas ou bombardeadas para que fossem cumpridas as ordens talibãs.

Mulheres que tinham liberdade de frequentar mercados e transitar livremente pela cidade, foram proibidas de saírem de casa sem cobrir o rosto e usarem a burca que cobre todo o corpo e até o rosto, além de serem obrigadas a serem acompanhadas do pai ou parentes.



Burca - Imagem: Wikipédia

Em meio a todo esse cenário, Malala persiste na sua luta pelo direito à educação o que resulta no atentado que quase tirou sua vida, em 9 de outubro de 2012. Apesar de muito jovem, a sua luta alcançou repercussão no mundo inteiro, embora pouco tenho mudado o seu país.