Iguatemi

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sábado, 20 de dezembro de 2014

Natal - Nascimento de Jesus?


O Natal está deixando de ser comemorado como sendo o nascimento de Jesus. 
As crianças vão ao shopping e lá encontram o Papai Noel para tirar fotos, entregar cartas pedindo presentes e aguardam ansiosas à noite de natal para receberem seus presentes. Nos lares e nas ruas, a decoração de natal privilegia a figura do Papai Noel. O presépio já não é o destaque principal. 

Será que as crianças sabem que o dia 25 de dezembro é a data em que se comemora o nascimento de Jesus? Se os pais não falam sobre essa comemoração para seus filhos, é possível que em alguns anos o natal deixe de ter essa conotação e seja, apenas, a festa do consumismo.
Que relação existe entre o Natal de Jesus e o Natal que se comemora na atualidade?


Nada contra a tudo que está aí como expressão do natal, mas, reflitamos:
Que veio Jesus fazer na Terra na parte que nos toca? Eis a questão que nos interessa de perto.

Temos lugar em nossos corações para recebermos o divino hóspede que há mais de 2000 anos bate à nossa porta?

Nosso grande desafio é viver conforme os ensinamentos de Jesus, em um mundo no qual vicejam o materialismo, o apego ao poder a qualquer custo e, no qual os valores morais parecem desconhecidos para muitos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Retomando a agenda de palestras para o ano de 2015


A contar de hoje, 18 de dezembro, faltam apenas 13 dias para iniciarmos um novo ano. Hora de pensar nas atividades a serem realizadas em 2015.

No ano de 2014 dei uma parada nas atividades que realizava em outras cidades, pelo movimento espírita, mas estou retomando neste ano que se avizinha. Fiz um compromisso comigo mesma de a cada dois meses, visitar os companheiros de outras instituições em outras cidades, no intuito de conhecer o movimento espírita do Estado do Piauí, Ceará e Maranhão.

O trabalho é gratificante e nos impulsiona ao estudo, de vez que, diversas são as abordagens que somos convidados a apresentar.

Portanto, me coloco à disposição dos companheiros, desde já!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Pérolas do meu avô João Paulo


Vovô João Paulo, segurando seu tataraneto Glauber, meses após seu nascimento.

A última vez em que estivemos em presença de meu avô, foi no ano de 1989, quando ele decidiu viajar sozinho, da cidade de Rondonópolis - MS, visitando famíliares residentes no Ceará e nos visitou em Parnaíba. 

Na ocasião, nos revelou que jamais conhecera o mar. Apesar de seus mais de 90 anos, não tivera essa oportunidade. Tratamos de leva-lo, à Praia da Pedra do Sal e, de pé, sobre as pedras, próximo ao farol, ficamos a observar sua reação.


Ele ficou estático e silencioso por um tempo e desabafou:
- Ora, ora, eu pensava que o mar era muito diferente!
- Como você pensava que era? Perguntamos.
- Eu pensava que era uma parede muito maior que a dos açudes, mais isso é um absurdo de Deus que não tem fim. Agora sim, eu posso morrer, pois conheci o mar!
Jamais esqueci esse momento e, sempre que vou à Praia da Pedra do Sal, lembro desse fato.

Muitas outras histórias ficaram na lembrança, do tempo em que convivemos com essa figura extraordinária, meu avô, João Paulo. Algumas vivenciadas na infância, outras na vida adulta, conforme os relatos descritos abaixo.

Quando papai comprou nossa primeira televisão, no ano de 1970, em plena copa do mundo, meu avô em visita a nossa casa, se surpreendeu com a programação que assistíamos. Àquela época, o Chacrinha fazia sucesso com suas dançarinas seminuas, que se apresentavam juntamente com os cantores convidados. Ao ver a imagem, meu avô recriminando meu pai, disse:
Ora, compadre Sinhô (era assim que meu avô chamava meu pai, Manoel), como é que você compra um objeto desses pra dentro de sua casa? Devia ter empregado melhor, seu dinheiro, comprando um motor e não uma coisa dessas.

Outro fato interessante que me ocorre, foi quando escrevíamos uma carta para os tios que moravam em São Paulo. Meu avô ditava a carta e nós escrevíamos. Admirado com a rapidez da escrita, meu avô disse: Essas meninas não precisam mais estudar, compadre Sinhô tá gastando dinheiro à toa. Quem já sabe escrever uma carta, não precisa estudar mais.
Meu avô era analfabeto, mas, ninguém pegava ele nas contas. Dessas ele entendia perfeitamente.

Outra lembrança que me ocorre diz respeito a uma das férias que passamos no “Sítio Salvador”, como era chamada a propriedade do meu avô, creio que por volta de 1970/1973, não sei precisar exatamente o ano. Minha tia Paula ouvia o LP de Renato e Seus Blue Caps, em sua radiola a pilha e chorava de saudade de seu namorado Renato, que ficara em Juazeiro, quando meu avô, perguntou à minha avó Ana:
- O que essa menina tem Naninha? (como chamava a minha avó).
Ao que minha vó, sorrindo, respondeu:
- Tá com os calos doendo!
- Bota remédio nos calos dessa menina, Naninha! Orientou meu avô.

Já na fase adulta, casada e residindo em Grajaú no Maranhão, recebi a visita de meu avô que residia na localidade Baixa Limpa, há poucas horas de Grajaú. Estava na cidade fazendo compras e exibia uma lista de mantimentos, pedidos pela nora Angelita. Reclamava da quantidade de açúcar que era pedida e dizia que ela consumia açúcar demais e, desabafava:
- A Expresso de Luxo de Ezequiel, todo dia tem que fazer um bolo ou um doce. Se não tiver do que fazer, ela faz doce de açúcar.
Ezequiel é meu tio, casado com Angelita e que, à época moravam com ele. A Expresso de Luxo era a empresa de ônibus na qual ele sempre viajava.

Em outra oportunidade, de mudança para Imperatriz, pernoitei na Baixa Limpa e pela madrugada, pois ele madrugava, ouvi meu avô chamando pela minha prima, que morava com eles.
Edna minha filha, já é meio dia!
O dia nem amanhecera direito, ainda estava escuro. Minha prima levantou e fiquei a ouvir a movimentação na cozinha e, após um certo tempo, as janelas da casa foram abertas e o rádio foi ligado numa emissora, quebrando o silencio da residência. Não demorou muito e ouvi meu avô a reclamar:
- Nem bem o dia amanheceu e essa menina já ligou esse rádio?
Imediatamente, minha prima respondeu:

- Vô, decida se é meio dia ou madrugada?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Lembrar a infância me faz bem

Casa que se assemelha à casa de meus avós - Imagem: web

Ainda lembro com muito carinho, de uma parte da minha infância em que aguardava ansiosamente as férias escolares. Nesse período, um tanto longo, pois à época, as férias duravam cerca de três meses, viajávamos para o sítio de meu avô João Paulo, na cidade de Lima Campos, no Ceará.

Lembro a casa grande, alpendrada, com a vista do açude, onde o gado bebia e de onde era retirada a água para o abastecimento de toda a casa. Ao lado, um grande engenho de cana, onde era feita a rapadura e uma casa de farinha, onde costumavamos brincar de boneca. Dentro da casa, na cozinha, um grande paiol de milho, de onde era retirado o milho seco para ser levado ao fogo e posteriormente moído, para fazer o cuscuz que era servido às refeições.

Um costume que trago ainda hoje e que aprendi com meus avós, João Paulo e Ana, é o de comer a qualhada com cuscuz de milho e padadura raspada. Essa a refeição de todas as noites, servida na casa de meu avô. Uma grande panela de barro era colocada com leite sobre uma forquilha, no canto da sala e, ali permanecia qualhando o leite, para que a noite, meu avô cumprisse aquele ritual em que ele mesmo raspava a rapadura que era servida à todos. Tudo acontecia em torno de uma grande mesa, cercada de bancos, onde sentavam crianças e adultos. Tudo à luz da lamparina. 

Durante o dia, tudo para mim era mágico: apanhar algodão, com um enorme lençol atravessado ao corpo, onde o algodão era guardado; plantar o milho em covas que eram abertas por trabalhadores e que só nos cabia colocar as sementes e passar os pés fechando as covas; ir em busca das ovelhas dispersas e levá-las ao açude para beber e depois guardá-las no curral e a noite, em grande folia, retirar as sementes do algodão catado durante o dia. 

Tudo era festa, até que todos tinham que se recolher e as lamparinas serem apagadas, quando começava o meu tormento do medo de dormir no escuro. Novo dia, tudo esquecido e, novas brincadeiras nos aguardavam. 

Era assim que eu via, o dia a dia da casa de meus avós no período de férias.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Sinto vergonha desse Congresso que aí está!


Esta mensagem expressa meus sentimentos, diante de questões que dizem respeito a guarda e proteção da sociedade e que, no meu entender, não estão sendo observadas por aqueles que se dizem nossos representantes.

O poema de Rui Barbosa escrito em 1914 intitulado "Sinto vergonha de mim" impressiona pela atualidade. Poderia ter sido escrito hoje sem mudar uma palavra... Simplesmente fantástico!

Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o "eu" feliz a qualquer custo, buscando a tal "felicidade" em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos "floreios" para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre "contestar", voltar atrás e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

* * *

Um trecho do discurso do Dr. Bezerra de Menezes na Câmara dos Deputados no ano de 1867 complementa a mensagem de Rui Barbosa.

(...) Peço licença à Camara para dizer ao país o que julgo do seu estado e da sua administração.
(...) A pátria está principalmente em perigo quando princípios tão perniciosos, como esses que apontei, se insinuam por todo o corpo social; pois eles corrompe-lhe o sangue, gangrenam-lhe todo o organismo, tiram-lhe toda a força de coesão necessária para resistir à exploração produzida pelo choque de interesses sórdidos que tais princípios promovem com ampla generosidade.
(...) Sinto ser obrigado a dizê-lo, mas eu devo toda a verdade ao meu país: a sociedade brasileira está gravemente doente, as extremidades já estão frias e o coração não tarda.


Texto escrito em 19 de maio de 2011 e pertinente para o momento.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A Fada do Mármore

 
Possivelmente poucos têm notícias de que Sócrates, o filósofo grego, era também escultor. De um modo geral, todos o conhecem como o mestre de Platão. O precursor das idéias cristãs.

         Mas ele era também um escultor muito bom.

         Um dia, ele recebeu um pedido da prefeitura de Atenas para esculpir em mármore a estátua de uma fada, que deveria ser colocada em um bosque, próximo de uma fonte.

         Sócrates aceitou a encomenda. Tratou logo de providenciar um bloco de mármore branco e se pôs a trabalhar.

         Durante algum tempo ficou olhando para o imenso bloco branco. Mentalizou, idealizou intensamente a estátua e,  então, colocou mãos a obra.

         Empunhou o martelo e foi desbastando a pedra. Lascas enormes voavam para um e outro lado da sua oficina.

         Mais tarde, ele largou o martelo e os outros instrumentos pesados, rústicos, e empunhou ferramentas mais leves como o cinzel.

         Para o acabamento da estátua serviu-se de uma pedra esmeril, com muita delicadeza.

         Finalmente, a estátua ficou pronta para admiração do povo.

         Era a figura de uma jovem esbelta, como os antigos concebiam as divindades dos bosques e das águas. Seu aspecto era tão leve que ela parecia flutuar no ar. E, no entanto, era toda de mármore.

         Ante os elogios do povo, Sócrates explicou que ele verdadeiramente não esculpira a estátua.

         Quando olhara o bloco de mármore, ele vira que a ninfa das águas estava pronta, dentro dela.

         O que fiz, dizia, foi simplesmente retirar o excesso de pedra que a cobria e descobri-la para os olhos de todos.

*   *   *
         Assim também é no ser humano. A maioria das pessoas somente vê o material, o corpo físico. E por essa aparência adjetiva a criatura como feia, bonita, simpática, antipática, etc.

         Poucos podem ver o invisível, a alma do ser que carrega aquele corpo.

         E a alma, para se revelar em toda a sua grandeza, necessita passar por um processo semelhante ao do mármore.

         É assim que temos o martelo da dor, retirando as arestas, o cinzel da disciplina e a pedra esmeril do tempo trabalhando juntos, a fim de que o Espírito mostre toda a sua beleza e seu potencial.

         É por isso que se torna importante o homem entender o porquê da dor, da disciplina, a sabedoria do tempo para que ele se mostre na sua totalidade: a estátua de beleza e leveza, esplendorosa, oculta sob a capa da matéria bruta.

*   *   *
         Jesus, enquanto na Terra, Se permitiu ver por três dos Seus apóstolos em toda a sua beleza espiritual.

         O episódio se deu no Monte Tabor, no fenômeno conhecido como Transfiguração e teve como testemunhas oculares, Pedro, Tiago e João.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. A ninfa oculta
no bloco de mármore, do livro Porque sofremos,
de Huberto Rohden, ed. Martin Claret.
Em 03.10.2008.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

1º de dezembro? Que susto!


Pois é, não sei o que acontece, mas, acho que o tempo está passando mais rápido. O dia parece mais curto, a semana parece ter somente três dias e o ano, esse nem se fala! A sensação que tenho é de que estamos avançando rápido demais.

Lembro de uma época em que achava que o tempo custava muito a passar, que as semanas se arrastavam e a festa de final de ano parecia nunca chegar. Acho que é coisa da idade mesmo. Recentemente, meu neto Arthur, de apenas 7 anos, perguntava a sua mãe: "Quando é que eu vou crescer? Tá demorando muito!"

Vendo meu neto falar dessa forma, compreendi que não há nada de errado com o tempo. O nosso tempo é que vai ficando cada vez mais acelerado, pois, caminhamos agora na estrada que nos conduz à "Melhor Idade" e, como diz o poeta Mário Quintana, O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

Um poema intitulado - A Idade de Ser Feliz, de Geraldo Eustáquio de sousa, ilustra bem o que quero expressar.

Existe somente uma idade para a gente ser feliz
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos

Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e sorrir e cantar e brincar e dançar
e vestir-se com todas as cores
e entregar-se a todos os amores
experimentando a vida em todos os seus sabores
sem preconceito ou pudor

Tempo de entusiasmo e de coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda a disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo, e quantas vezes for preciso

Essa idade, tão fugaz na vida da gente,
chama-se presente,
e tem apenas a duração do instante que passa ...
... doce pássaro do aqui e agora
que quando se dá por ele já partiu para nunca mais!