Iguatemi

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sábado, 31 de outubro de 2015

Dois de Novembro: Dia dos Eternos


Imagem: Arquivo Google

Com a proximidade da comemoração do Dia de Finados, me ocorre escrever algo sobre esse dia em que, homenagens são direcionadas aos familiares que retornaram à pátria espiritual.

Inicialmente, um questionamento. Por que chamar nossos entes queridos de finados, apenas porque se ausentaram da nossa convivência? Prefiro “ausentes”. Não gosto dessa palavra, que passa a ideia de fim, pois, em verdade, eles prosseguem vivos em outra dimensão. Dia dos Eternos, seria mais expressivo.

E porque tememos a presença espiritual dos nossos entes queridos?

Lembro de ter conversado certa vez com um jovem, que me disse ter sentido um grande desejo de rever sua mãe que desencarnara. Pedira em prece lhe fosse concedido esse reencontro e que, certo dia, estando a repousar em seu quarto, sentiu uma mão leve a acariciar seus cabelos. Teve a certeza que se tratava da presença tantas vezes pedida, mas, teve tanto medo, que pediu para que ela se afastasse, ficando imensamente arrependido, depois que ela se foi.

Definitivamente, não recebemos nenhuma orientação religiosa ou acadêmica, sobre esse momento tão importante de nossas vidas. De tal forma que, nosso ente querido vira “alma do outro mundo”, e passamos a considerar finda a sua existência. E o pior, passamos a ter medo da sua presença.

Com a doutrina espírita o véu se descortina e compreendemos que, a morte definitiva não existe, da forma como nos foi ensinada. Os mortos, na doutrina espírita, são mortos segundo a carne, pois o Espírito é eterno. Na vida de além-túmulo, o ser prossegue vivo, consciente, amando e saudoso dos que ficaram. Portanto, nesse dia, pense com carinho nos seres ausentes que, com certeza, atraídos pela lembrança estarão próximos à espera de um pensamento que lhes relembre a convivência.

Nesse “Dia dos Eternos”, se deseja estar com seu familiar ausente, saiba que é possível, embora em dimensões diferentes. Busque um lugar de paz, faça uma prece e peça a Deus lhe conceda a capacidade de dialogar mentalmente com seu familiar e observe as ideias que surgem. Fatos vivenciados, momentos de alegrias poderão surgir em sua mente, sugeridos pelo ente querido, através da sintonia que se estabelece entre ambos.

Tudo é possível àquele que crê. Acredite!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Música Mensagem - Tocando em Frente

Foto: Chico Rasta

Gosto de música que na letra traga uma mensagem. Não dá pra ouvir ou cantar algo que não me diz nada. Preciso sentir a música!

Me identifico com a música de Almir Sater, que ora compartilho, porque sua mensagem traz paz e sabedoria.



Ando devagar 
Porque já tive pressa 
E levo esse sorriso 
Porque já chorei demais 

Hoje me sinto mais forte, 
Mais feliz, quem sabe 
Só levo a certeza 
De que muito pouco sei, 
Ou nada sei 

Conhecer as manhas 
E as manhãs 
O sabor das massas 
E das maçãs 

É preciso amor 
Pra poder pulsar 
É preciso paz pra poder sorrir 
É preciso a chuva para florir 

Penso que cumprir a vida 
Seja simplesmente 
Compreender a marcha 
E ir tocando em frente 

Como um velho boiadeiro 
Levando a boiada 
Eu vou tocando os dias 
Pela longa estrada, eu vou 
Estrada eu sou 

Conhecer as manhas 
E as manhãs 
O sabor das massas 
E das maçãs 

É preciso amor 
Pra poder pulsar 
É preciso paz pra poder sorrir 
É preciso a chuva para florir 

Todo mundo ama um dia, 
Todo mundo chora 
Um dia a gente chega 
E no outro vai embora 

Cada um de nós compõe a sua história 
Cada ser em si 
Carrega o dom de ser capaz 
E ser feliz 

Conhecer as manhas 
E as manhãs 
O sabor das massas 
E das maçãs 

É preciso amor 
Pra poder pulsar 
É preciso paz pra poder sorrir 
É preciso a chuva para florir 

Ando devagar 
Porque já tive pressa 
E levo esse sorriso 
Porque já chorei demais 

Cada um de nós compõe a sua história 
Cada ser em si 
Carrega o dom de ser capaz 
E ser feliz.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Nascer é que é o problema, e não, morrer.


Hermínio Miranda, na obra - Nossos filhos são Espíritos, no capítulo 7, descreve uma pesquisa realizada pela Drª Helen Wambach que achei interessante transformar em tema de palestra. Juntei à pesquisa, as questões de O Livro dos Espíritos que estão em consonância com as respostas dadas pelos pesquisados e estou disponibilizando o áudio, para quem não pode ir ao centro espírita, mas, tem interesse pela informação espírita. 

domingo, 25 de outubro de 2015

Seminário com Éden Lemos sobre a obra Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho


Seminário - Compreendendo a obra Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, realizado por Éden Lemos, no Centro Espírita Humberto de Campos, na cidade de Parnaíba, Piauí, na manhã de 25 de outubro de 2015, encerrando a XXVI Semana Espírita Humberto de Campos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Brumas e Espumas


Imagem: Pluricosmética

Capítulo XXII da obra - Perguntaram-me se acredito em Deus, autoria de Rubem Alves. O texto é do Eclesiastes, narrado pelo Mestre Benjamin. 
Perfeito!

“Brumas e espumas.

Tudo são brumas e espumas...
Para tudo há um tempo determinado.
Há o tempo de nascer e o tempo de morrer.
O tempo de plantar e o tempo de arrancar o que se plantou.
O tempo de construir e o tempo de demolir.
O tempo de chorar e o tempo de rir.
O tempo de amar e o tempo de enfadar-se com o amor.
O tempo de guerra e o tempo de paz.
Para todas as coisas há um tempo certo.
Mas Deus colocou o coração do homem para além do tempo, na eternidade.

Nada há de melhor para o homem do que alegrar-se e levar uma vida prazerosa. E isso é presente de Deus, que o homem possa comer, beber e desfrutar do seu trabalho.

O que é, já foi. E o que vai ser também já foi. Mas Deus fará voltar o que já passou.


Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias e cheguem os anos em que dirás: Não tenho neles prazer.

Antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas, luzes da tua vida, e tornem a vir as nuvens depois do aguaceiro;

No dia em que os teus braços, guarda da tua casa, tremerem,
E as tuas pernas outrora fortes se curvarem,
E os moedores da tua boca cessarem de moer, por já serem poucos,
E os teus olhos, janelas da tua casa se cerrarem,
E os teus lábios se fecharem: o dia em que não puderes falar em voz alta,
E te levantares ao canto das aves, e não mais ouvires o som da música.
Quando tiveres medo do que é alto,
E te espantares no caminho,
E o teu cabelo ficar branco,
E um simples gafanhoto for muito peso para tuas forças,
E não tiveres mais fome.
Porque vais para a casa eterna
E os pranteadores já estão andando pela praça.
Antes que se rompa o fio de prata,
E se despedace o copo de ouro,
E se quebre o cântaro junto à fonte,
E o pó volte à terra
E o sopro da vida volte a Deus, que o soprou.
Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho. Em todo tempo sejam brancas as tuas roupas e jamais falte óleo na tua cabeça. Goza a vida com quem tu que amas todos os dias da tua vida que logo passa, como passam as brumas e as espumas...”
Brumas e espumas: tudo são brumas e espumas.” (Eclesiastes)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Os olhos do ciumento vigiam.

Imagem: noticias.universia.com.br

Mais um texto de Rubem Alves. Eterno!

“Ela tinha a beleza tranquila da maturidade.
Alguns fios de cabelo branco davam ao seu rosto um encanto especial. 
De hábitos domésticos e simples, um de seus prazeres era assentar-se numa poltrona e entrar na bolha que a leitura cria.
Quem lê está num outro mundo, muito distante.
O marido a observava de longe. Olhos que observam são aqueles que olham quando o outro não está olhando. Seu olhar era o de apaixonado que desconfia, olhar de ciúme. Os olhos do ciumento vigiam.
Vigiam gestos, movimentos, horas, sorrisos.
Vigiam porque as modulações silenciosas e distraídas da pessoa amada podem conter revelações sobre aquilo que ela esta pensando.
O ciumento suspeita que o ser amado lhe esconda alguma coisa.
Olha na esperança de ver algo escondido, de entrar dentro do segredo do outro. O ciumento detesta os pensamentos.
Por mais que os vigie, eles estão além de sua vigilância.
Ele queria adivinhar seus pensamentos.
E a sua vigilância se exacerbava quando ela sorria ou ria.
Como explicar este sorriso se ele, o marido, não estava dentro do livro?
Ela não precisava dele pra ser feliz.
Porque ali, mergulhada no livro, o marido não existia…”
“O ciúme nasce quando se toma consciência de que a pessoa amada é livre. Ela é um pássaro pousado no ombro.
Nada o prende. Pode voar quando quiser.”

Fonte: contioutra.com

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Um desafio Chamado Família


Ame sua família, mesmo que nela exista alguém que lhe magoou. Aproveite o momento de esclarecimento, no futuro se colhe o que semeou. Diz uma estrofe da música espírita, Laços de Família. Escolhi começar esse texto com essa citação porque, dentro da família, o perdão e o amor, são atitudes a serem vivenciadas diariamente.

Viver em família é um grande desafio e ao mesmo tempo um importante aprendizado, pois o convívio diário nos dá oportunidade de limar as arestas com aqueles que por ventura tenhamos alguma diferença. Nascendo no mesmo reduto familiar é mais fácil superar as desafeições, pois os laços de sangue ainda se constituem num ponto forte a favor da tolerância e da convivência pacíficas, diz Joanna de Ângelis na obra S.O.S Família.

Os Espíritos nos esclarecem no capítulo XIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo que, há duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Sua família é composta por laços materiais ou espirituais?

Participe conosco do estudo do evangelho e tire suas dúvidas.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A responsabilidade é principio divino a que ninguém poderá fugir.


Revendo a obra de André Luiz, mais especificamente o livro - Entre a Terra e o Céu - que se encontra na ordem do estudo que estou realizando, me deparei já no primeiro capítulo, Em torno da Prece, com interessante informação, quando o Ministro Clarêncio, faz distinção entre "prece" e "invocação". 

Sobre a prece, diz Clarêncio:

– Em nome de Deus, as criaturas, tanto quanto possível, atendem às criaturas. Assim como possuímos em eletricidade os transformadores de energia para o adequado aproveitamento da força, temos igualmente, em todos os domínios do Universo, os transformadores da bênção, do socorro, do esclarecimento... As correntes centrais da vida partem do Todo-Poderoso e descem a flux, transubstanciadas de maneira infinita. Da luz suprema à treva total, e vice-versa, temos o fluxo e o refluxo do sopro do Criador, através de seres incontáveis, escalonados em todos os tons do instinto, da inteligência, da razão, da humanidade e da angelitude, que modificam a energia divina, de acordo com a graduação do trabalho evolutivo, no meio em que se encontram. Cada degrau da vida está superlotado por milhões de criaturas... O caminho da ascensão espiritual é bem aquela escada milagrosa da visão de Jacob, que passava pela Terra e se perdia nos céus... A prece, qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corresponde. Conforme a sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou
remota, segundo as finalidades a que se destina. Desejos banais encontram realização próxima na própria esfera em que surgem. Impulsos de expressão algo mais nobre são amparados pelas almas que se enobreceram. Ideais e petições de significação profunda na imortalidade remontam às alturas...


– Cada prece, tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de freqüência e todos estamos cercados por Inteligências capazes de sintonizar com o nosso apelo, à maneira de estações receptoras. Sabemos que a Humanidade Universal, nos infinitos mundos da grandeza cósmica, está constituída pelas criaturas de Deus, em diversas idades e posições... No Reino Espiritual, compete-nos considerar igualmente os princípios da herança. Cada consciência, à medida que se aperfeiçoa e se santifica, aprimora em si qualidades do Pai Celestial, harmonizando-se, gradativamente, com a Lei. Quanto mais elevada a percentagem dessas qualidades num espírito, mais amplo é o seu poder de cooperar na execução do Plano Divino, respondendo às solicitações da vida, em nome de Deus, que nos criou a todos para o Infinito Amor e para a Infinita Sabedoria...


A respeito da invocação, diz Clarêncio:

Quando alguém nutre o desejo de perpetrar uma falta está invocando forças inferiores e mobilizando recursos pelos quais se responsabilizará. Através dos impulsos infelizes de nossa alma, muitas vezes descemos às desvairadas vibrações da cólera ou do vício e, de semelhante posição, é fácil cairmos no enredado poço do crime, em cujas furnas nos ligamos, de imediato, a certas mentes estagnadas na ignorância, que se fazem instrumentos de nossas baixas idealizações ou das quais nos tornamos deploráveis joguetes na sombra. Todas as nossas aspirações movimentam energias para o bem ou para o mal. Por isso mesmo, a direção delas permanece afeta à nossa responsabilidade. Analisemos com cuidado a nossa escolha, em qualquer problema ou situação do caminho que nos é dado percorrer, porquanto o nosso pensamento voará, diante de nós, atraindo e formando a realização que nos propomos atingir e, em qualquer setor da existência, a vida responde, segundo a nossa solicitação. Seremos devedores dela pelo que houvermos recebido.

– Estejamos convictos, porém, de que o mal é sempre um círculo fechado sobre si mesmo, guardando temporariamente aqueles que o criaram, qual se fora um quisto de curta ou longa duração, a dissolver-se, por fim, no bem infinito, à medida que se reeducam as Inteligências que a ele se aglutinam e afeiçoam. O Senhor tolera a desarmonia, a fim de que por intermédio dela mesma se efetue o reajustamento moral dos espíritos que a sustentam, de vez que o mal reage sobre aqueles que o praticam, auxiliando-os a compreender a excelência e a imortalidade do bem, que é o inamovível fundamento da Lei. Todos somos senhores de nossas criações e, ao mesmo tempo, delas escravos infortunados ou felizes tutelados. Pedimos e obtemos, mas pagaremos por todas as aquisições. A responsabilidade é principio divino a que ninguém poderá fugir.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O que devemos entender por piedade filial?


O tema da nossa conversa é sobre a piedade filial. Dessa forma, trazemos à reflexão o Cap. XIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, onde os Espíritos comentam o ensinamento de Jesus, sobre as atitudes que devemos ter em relação aos seres que nos receberam na condição de pais, para mais uma experiência de vida no planeta Terra.



Transcrevemos em seguida, o texto do evangelho que nos guiou na reflexão realizada durante o estudo do evangelho, realizado no Centro Espírita Semente Cristã, na noite desta sexta-feira, 9 de outubro de 2014.

Sabeis os mandamentos: não cometereis adultério; não matareis; não roubareis; não prestareis falso-testemunho; não fareis agravo a ninguém; honrai a vosso pai e a vossa mãe. (S. MARCOS, capítulo X, v. 19; S. LUCAS, cap. XVIII, v. 20; S. MATEUS, cap. XIX, vv. 18 e 19.)

Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará. (Decálogo: "Êxodo", cap. XX, v. 12.)

O mandamento: "Honrai a vosso pai e a vossa mãe" é um corolário da lei geral de caridade e de amor ao próximo, visto que não pode amar o seu próximo aquele que não ama a seu pai e a sua mãe; mas, o termo honrai encerra um dever a mais para com eles: o da piedade filial. Quis Deus mostrar por essa forma que ao amor se devem juntar o respeito, as atenções, a submissão e a condescendência, o que envolve a obrigação de cumprir-se para com eles, de modo ainda mais rigoroso, tudo o que a caridade ordena relativamente ao próximo em geral. Esse dever se estende naturalmente às pessoas que fazem as vezes de pai e de mãe, as quais tanto maior mérito têm, quanto menos obrigatório é para elas o devotamento. Deus pune sempre com rigor toda violação desse mandamento.

Honrar a seu pai e a sua mãe, não consiste apenas em respeitá-los; é também assistir na sua necessidade; é proporcionar-lhes repouso na velhice; é cercá-los de cuidados como eles fizeram conosco, na infância.

Sobretudo para com os pais sem recursos é que se demonstra a verdadeira piedade filial. Obedecem a esse mandamento os que julgam fazer grande coisa porque dão a seus pais o estritamente necessário para não morrerem de fome, enquanto eles de nada se privam, atirando-os para os cômodos mais ínfimos da casa, apenas por não os deixarem na rua, reservando para si o que há de melhor, de mais confortável? Ainda bem quando não o fazem de má vontade e não os obrigam a comprar caro o que lhes resta a viver, descarregando sobre eles o peso do governo da casa! Será então aos pais velhos e fracos que cabe servir a filhos jovens e fortes? Ter-lhes-á a mãe vendido o leite, quando os amamentava? Contou porventura suas vigílias, quando eles estavam doentes, os passos que deram para lhes obter o de que necessitavam? Não, os filhos não devem a seus pais pobres só o estritamente necessário, devem-lhes também, na medida do que puderem, os pequenos nadas supérfluos, as solicitudes, os cuidados amáveis, que são apenas o juro do que receberam, o pagamento de uma dívida sagrada. Unicamente essa é a piedade filial grata a Deus.

Ai, pois, daquele que olvida o que deve aos que o ampararam em sua fraqueza, que com a vida material lhe deram a vida moral, que muitas vezes se impuseram duras privações para lhe garantir o bem-estar. Ai do ingrato: será punido com a ingratidão e o abandono; será ferido nas suas mais caras afeições, algumas vezes já na existência atual, mas com certeza noutra, em que sofrerá o que houver feito aos outros.

Alguns pais, é certo, descuram de seus deveres e não são para os filhos o que deviam ser; mas, a Deus é que compete puni-los e não a seus filhos. Não compete a estes censurá-los, porque talvez haja merecido que aqueles fossem quais se mostram. Se a lei da caridade manda se pague o mal com o bem, se seja indulgente para as imperfeições de outrem, se não diga mal do próximo, se lhe esqueçam e perdoem os agravos, se ame até os inimigos, quão maiores não hão de ser essas obrigações, em se tratando de filhos para com os pais! Devem, pois, os filhos tomar corno regra de conduta para com seus pais todos os preceitos de Jesus concernentes ao próximo e ter presente que todo procedimento censurável, com relação aos estranhos, ainda mais censurável se torna relativamente aos pais; e que o que talvez não passe de simples falta, no primeiro caso, pode ser considerado um crime, no segundo, porque, aqui, à falta de caridade se junta a ingratidão.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O Cajueiro de Humberto de Campos


Foto: Panoramio

Quem transita pela rua Coronel José Narciso, centro da cidade de Parnaíba, com certeza, já se deparou com uma área cercada onde pode ser visto um imenso cajueiro e se perguntado: por que esse cajueiro estaria em área cercada por grades de proteção? Afinal, cajueiros na cidade de Parnaíba é o que não falta. Por que o destaque?

Ocorre que, esse, em especial, foi plantado no ano de 1896, por um ilustre cidadão que viveu parte de sua infância em Parnaíba e que, o imortalizou em sua obra intitulada – Memórias. Esse cidadão, conhecido pelo nome de Humberto de Campos, membro da Academia Brasileira de Letras. Claro que não há nenhuma novidade nessa informação, certo? Errado. Para muitas pessoas, principalmente os jovens, esse fato é desconhecido. O que não acontece Brasil a fora, onde o cajueiro é famoso e muitas pessoas já vieram à Parnaíba, apenas para conhece-lo.




Antonio Cesar Perri, ex-presidente da FEB, sua esposa Célia Maria Rey de Carvalho e José Lucimar, presidente da FEPI.

Li sobre o cajueiro, em minha infância, na escola. Quando no ano de 1983, fixei residência em Parnaíba, visitei pela primeira vez o cajueiro. Por essa época, já conhecia outras narrativas de Humberto de Campos, sobre o cajueiro, em obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier. Ainda não era celebrada a Semana Espírita Humberto de Campos, que teve início no ano 1989. Desde então, todo mês de outubro, o movimento espírita de Parnaíba, realiza durante uma semana, programação espírita em homenagem a Humberto de Campos.



Programação espírita realizada na Praça do Cajueiro de Humberto de Campos

Em 10 de novembro de 2008, deu-se um reconhecimento maior à essa programação quando, foi sancionada pelo prefeito José Hamilton, a lei número 2449, que entrou em vigor na mesma data, a partir de quando ficou “instituído o Dia da Memória da Parnaíba, a ser celebrado anualmente dia 25 de outubro”. Constávamos como proponente, juntamente com o Jornal cultural O Bembém, através de seus editores: Benjamin Santos, Diego Mendes Sousa e Tarciso Prado; Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico da Parnaíba (IHGGP), através de sua Presidenta, Filomena Bezerra; Centro de Ação e Integração Social (CAIS), através de seu Presidente, Fernando Silva.

Conforme o artigo 2º da Lei 2449, durante o Dia da Memória da Parnaíba deverão ser desenvolvidas ações e promoções que difundam, fortaleçam e resgatem a História do Município.

O Cajueiro, símbolo vivo da memória de Humberto de Campos, será palco do encerramento de mais uma Semana Espírita Humberto de Campos. Fato que se repete há 26 anos.

Confira a programação.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Perguntaram-me se acredito em Deus...


Fiz o pedido desse livro, mas, estava esgotado. Vou continuar tentando comprá-lo, pois, acho Rubem Alves, intrigante! Me identifico com seu pensamento. Esse texto sobre Deus, então...

Acabo de publicar um livrinho com o título Perguntaram-me se acredito em Deus… Ele nasceu de uma pergunta que me fez uma senhora, ao final de um debate sobre educação. Essa foi a pergunta que ela me fez: “O senhor acredita em Deus?”

Houve tempo em que era mais fácil acreditar em Deus. Hoje está mais difícil. Até o Papa, na sua visita ao campo de concentração de Treblinka, fez a pergunta que não deveria ter feito: “Onde estava Deus quando esse horror aconteceu?”

Se for levada a sério a pergunta do Papa é uma heresia. Deus não podia estar lá porque, se estivesse, ele não teria deixado aquele horror acontecer. Pois Deus não é amor? E todo poderoso? Se estava lá e deixou acontecer ou não é amor ou não é todo poderoso. Se ele não estava lá então ele não é onipresente. Até o representante de Deus na Terra ficou perturbado com a indiferença do seu Chefe.

Depois do atentado terrorista ao World Trade Center o New York Times publicou um artigo com essa mesma pergunta: Onde estava Deus? Estava lá? Se estava lá, por que deixou acontecer? Fiquei com vontade de escrever um artigo dando uma resposta à pergunta americana: “Deus estava no mesmo lugar onde estava quando a bomba atômica foi lançada sobre Hiroshima…”

Dietrich Bonhoffer, pastor protestante que foi enforcado por haver participado de um frustrado atentado para assassinar Hitler – ( Às vezes não há como fugir: ou matar um único, para que muitos não sejam mortos, ou, para preservar a pureza pessoal, não matar esse único e deixar que milhares sejam mortos; por vezes a inocência é mais criminosa que o crime… ) – lutou com essa pergunta: “Onde está Deus?” Sua resposta foi simples: “Ele está aqui mas não é todo poderoso; Deus é fraco…”

Se Deus existe e é forte, como perdoá-lo por permitir que acontecesse o que não deveria ter acontecido? Mas se Deus é fraco ou não existe, então é possível perdoá-lo e amá-lo. Aí choraríamos e diríamos: “Se Deus existisse ou fosse forte isso não teria acontecido…”

Mas eu não disse nada disso para a senhora. Apenas perguntei de volta, pedindo um esclarecimento: “Qual? Há tantos deuses… Os homens ferozes e vingativos imaginam um Deus feroz e vingativo que mantém, para sua própria alegria, uma câmara de torturas chamada Inferno onde se vinga dos seus desafetos por toda a eternidade. Há o Deus jardineiro que criou um Paraiso e mora nas árvores e nas correntes cristalinas. Há o Deus com alma de banqueiro que contabiliza débitos e créditos… Há o Deus da Cecília Meireles que se confunde com as águas do mar azul… Há o Deus erótico que inspira poemas de amor carnal… E há também o Deus criança de Alberto Caeiro e Mário Quintana. Qual deles?”

Ela ficou em silêncio, meio perdida. Acho que ela nunca havia pensado no que lhe disse. Então lhe respondi com os versos do Chico:

“Saudade é o revés do parto. É arrumar o quarto para o filho que já morreu”.

E perguntei: Qual é a mãe que mais ama? A que arruma o quarto para o filho que chegará amanhã ou a que arruma o quarto para o filho que nunca chegará?” E acrescentei: “Sou um construtor de altares à beira de um abismo. Construo meus alteres com poesia e beleza. Os fogos que acendo nos meus altares iluminam o meu rosto e aquecem o meu corpo. Mas o abismo continua escuro e silencioso…”

sábado, 3 de outubro de 2015

A semente de uma semente

                            
Atendendo ao convite do companheiros de ideal espírita, Luiz Carlos, estivemos na manhã deste sábado na cidade de João Peres, Maranhão, realizando um seminário sobre o suicídio, na Sociedade de Estudos Espíritas O Consolador. 

O grupo visitado, surgiu da iniciativa desse trabalhador da nossa instituição, Centro Espírita Semente Cristã que, tendo de fixar residência na cidade de João Peres, uniu-se a outros moradores da cidade que participaram de atividades da nossa casa e fizeram parte, por um período, do estudo sistematizado realizado em nossa casa.


Dora Rodrigues falando sobre as implicações do suicídio e acolhimento de pessoas na casa espírita
Heliodório Rodrigues falando sobre a prece

Luiz Carlos, juntamente com os componentes diretamente responsáveis pelos trabalhos da instituição, nos receberam fraternalmente e, durante toda manhã estivemos a conversar sobre as questões que dizem respeito ao suicídio, os benefícios da prece e atendimento fraterno que a casa espírita deve realizar, principalmente, nas questões que dizem respeito ao suicídio.

O grupo, após um período em que se reuniam em torno do evangelho, fundaram a instituição que já se encontra em funcionamento, na Avenida 13 de maio, S/N. 

Ficamos felizes por constatar que o trabalho se amplia em outros campos e que, nossos companheiros entenderam a proposta de divulgação da doutrina espírita. Sabemos que não é fácil levar adiante um trabalho de tal magnitude, pois, lidamos ainda com o preconceito daqueles que desconhecem os preceitos espíritas, mas, sentimos que a equipe está fortalecida e consciente da tarefa que ora repousa em suas mãos. 

Nos despedimos com a certeza de um breve retorno.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Benefícios pagos com a ingratidão


Ajudei e, o que recebi em troca? É o que muitas pessoas questionam, a ajuda ofertada e, nem sempre, retribuída. Alguns, decepcionados, vão mais longe e afirmam: não ajudo mais ninguém.

O tema do Estudo do Evangelho – Benefícios pagos com a ingratidão - realizado nesta sexta-feira, no Centro Espírita Semente Cristã, nos esclarece, à luz da doutrina espírita, sobre os benefícios que prestamos à familiares e amigos, em situações diversas e que, são pagos com a ingratidão. Por essa razão, muitos desistem de auxiliar, decepcionados que se encontram com a postura daqueles a quem ajudaram.

Assista aqui, o estudo da mensagem de O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 19, conforme transcrita abaixo.



Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em paga de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não topar com os ingratos?

Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porquanto os que assim procedem se comprazem na humildade com que o beneficiado lhes vem depor aos pés o testemunho do seu reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus, entretanto, terá em apreço aquele que não a busca no mundo.

Deveis sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizerdes o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem.

E sabeis, porventura, se o benefício momentaneamente esquecido não produzirá mais tarde bons frutos? Tende a certeza de que, ao contrário, é unia semente que com o tempo germinará. Infelizmente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vós e não pelos outros. Os benefícios acabam por abrandar os mais empedernidos corações; podem ser olvidados neste mundo, mas, quando se desembaraçar do seu envoltório carnal, o Espírito que os recebeu se lembrará deles e essa lembrança será o seu castigo. Deplorará a sua ingratidão; desejará reparar a falta, pagar a dívida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor. Assim, sem o suspeitardes, tereis contribuído para o seu adiantamento moral e vireis a reconhecer a exatidão desta máxima: um benefício jamais se perde. Além disso, também por vós mesmos, tereis trabalhado, porquanto granjeareis o mérito de haver feito o bem desinteressadamente e sem que as decepções vos desanimassem.

Ah! Meus amigos, se conhecêsseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a ele.

- Guia protetor. (Sens, 1862.)

domingo, 27 de setembro de 2015

A homossexualidade é uma experiência evolutiva


Na semana passada, solicitei através do meu facebook, sugestões para temas a serem abordados à luz da doutrina espírita em nossa coluna e, dentre os temas sugeridos, a homossexualidade foi a escolhida para esse final de semana. Por se tratar de um tema atual e de interesse de muitos lares e da nossa sociedade.

As informações que trazemos dizem respeito ao pensamento dos Espíritos que, numa visão mais ampliada e a luz do conhecimento adquirido em suas vivências, nos instruem acerca da nossa trajetória evolutiva. A obra escolhida para nossa orientação foi o Livro – Vida e Sexo – Emmanuel, complementada por informações de O Livro dos Espíritos.

Na obra Vida e Sexo, o espírito Emmanuel esclarece que, a homossexualidade, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.

Segundo nos informam os Espíritos nas questões 201 e 202 de O Livro dos Espíritos, são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres, ou seja, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora como homem, ora como mulher. Quando no mundo dos Espíritos em preparação para novo reencarne, o que o guia na escolha são as provas por que haja de passar. Reconhece que a reencarnação propicia aprendizado intelectual, moral e, principalmente, no campo do sentimento. Escolhe, pois, a prova que lhe propicie maior adiantamento por entender que, aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.

Continuando com Emmanuel: “Ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade ou masculinidade em que terá estagiado por muitos séculos”. Não querendo isso dizer que o homem delicado, sensível, assim como a mulher com traços de masculinidade, necessariamente serão homossexuais. O homem poderá dedicar-se sem constrangimento às atividades do lar, assim como, a mulher voltar-se para atividades reconhecidamente masculinas, conforme experiências anteriores. São Espíritos que vivenciaram suas experiências reencarnatórias com equilíbrio e que se candidatam a novos aprendizados.

O homossexual, por ter utilizado o sexo de forma desequilibrada, em total desrespeito ao sexo oposto, ao mudar a polaridade, ou seja, ao reencarnar em outro sexo, para aprender as lições que somente nesta condição aprenderia, traz a mente voltada para as experiências vividas e, no caso da mulher, como seu objeto de desejo era o homem, se sente desconfortável no papel de homem e continua a buscar parceiros masculinos. Da mesma forma acontece ao sexo masculino ao mudar a polaridade para o sexo feminino. É um espírito que está se sentindo desconfortável no corpo que está habitando, pois, com seu psiquismo voltado para determinado sexo, reencarna em sexo oposto e não se adapta.

Daí poder ser observado já na infância, os trejeitos, as afinidades de meninos ou meninas, com brincadeiras e uso de objetos do sexo oposto, como roupas e acessórios. Orienta o espírito Emmanuel que, observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual. É dever da Família (Sociedade) abraçar com amorosidade o homossexual, compreendendo sua natureza, suas possibilidades e seus desafios, auxiliando-o para viver de forma harmoniosa a condição de prova em que a reencarnação o situou. As noções da moral cristã de respeito a si mesmo e aos outros, assim como, o incentivo ao estudo e ao trabalho, possibilitarão conduzir-se com equilíbrio, sem os desregramentos que culminam na prostituição.

Informa o benfeitor que, essa ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o próprio desenvolvimento da Humanidade, pois, a homossexualidade é uma experiência evolutiva. Isso quer dizer que, espíritos estarão mudando a polaridade e, mais e mais lares receberão espíritos nesta condição de aprendizado, na feição de filhos ou netos. E alerta: Por enquanto, nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual o tamanho da experiência afetiva que nos aguarda amanhã.

sábado, 26 de setembro de 2015

Caridade Material e Caridade Moral



Estudo do Evangelho realizado na noite de sexta-feira, 25 de setembro de 2015, no Centro Espírita Semente Cristã, localizado a Rua Bolívia, quadra 25, casa 10, Jardim América, bairro Rodoviária, na cidade de Parnaíba - Piauí.

Por falha técnica não foram registrados os minutos finais do Estudo do Evangelho. Pedimos desculpas.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Guarás do Delta do Parnaíba


Me apropriando dessa bela imagem dos guarás do Delta do Parnaíba, capturadas pela lente do fotógrafo Chico Rasta. 
Orgulho de morar nesta região!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Suicídio Inconsciente


Retomando o tema suicídio, pois, o assunto ainda não se esgotou. Há muito que se falar e que se escrever, embora não tenha a pretensão de esgotar o assunto. Antes me proponho a pesquisar sobre o tema e trazer informações que possam esclarecer essa questão, de forma a despertar mais e mais pessoas.

“Suicida” é aquele que atenta contra a própria vida?

Comecemos com o esclarecimento do codificador da doutrina espírita, Allan Kardec, na obra O Céu e o Inferno.

"O suicídio não consiste somente no ato voluntário que produz a morte instantânea, mas em tudo quanto se faça conscientemente para apressar a extinção das forças vitais."

O Espírito André Luiz, confirma na obra – Nosso Lar, a informação do codificador, quando informa sobre um tipo de suicídio que é praticado pela criatura humana, sem que tenha consciência da sua prática. Trata-se do “suicídio inconsciente”.

Segundo André Luiz, “Suicidas inconscientes” são aqueles que não respeitam seus limites, aqueles que desrespeitam e agridem sua saúde, dentre outras coisas, com os excessos do fumo, da comida, do álcool e dos tóxicos em geral.

O Espírito Joanna de Ângelis também afirma: são suicidas, os sexólatras inveterados, os viciados de qualquer teor, que ingerem altas cargas de tensão, os que se envenenam com o ódio e se desgastam com as paixões deletérias, os glutões e ociosos, os que cultivam o pessimismo e as enfermidades imaginárias.

Os espíritos chamam a nossa atenção para as atitudes diárias, praticadas de forma consciente, que geram danos ao nosso corpo físico e que podem fazer com que retornemos antecipadamente ao mundo espiritual na condição de suicidas inconscientes: no campo mental, a cólera, a falta de autodomínio e inadvertência no trato com os semelhantes; no campo físico, os excessos de toda ordem.

André Luiz, também informa sobre os “Completistas”, nome que designa os Espíritos que aproveitam todas as oportunidades construtivas que o corpo terrestre lhes oferece. E, informa que, esses casos, embora raros, existem.

Esse tipo de informação pode nos ajudar na busca de uma melhor qualidade de vida, que se reflita em nosso ser material e espiritual, pois, como disse Teilhard de Chardin, “Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana."

Introspecção, alegria, reflexão, cultivo de ideias superiores, oração, constituem terapias avançadas, com os seus efeitos vibratórios positivos, produzindo saúde pela recomposição do equilíbrio psicofísico, orienta o Espírito Joanna de Ângelis.

Amai, pois, a vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que lhe são peculiares por força da própria natureza, é desconhecer as leis de Deus. Cuidar do Corpo e do Espírito - E.S.E – Cap. V

Estudo do Evangelho - O Óbolo da viúva

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Suicídio: até quando?


A questão do suicídio tem sido neglicenciada e, quando noticiada, é apresentada de forma sensacionalista. Daí a recomendação de que o suicídio não seja divulgado, pois já existe a constatação de que, após a sua divulgação, inúmeros casos acontecem, como que estimulados. Mas essa questão precisa ser intensamente debatida pelas famílias e por toda a sociedade.

A taxa de suicídio de adolescentes com idades entre 10 e 14 anos aumentou 40% nos últimos 10 anos e 33% entre aqueles com idades entre 15 e 19 anos, segundo o Mapa da Violência 2014. Todo dia, 28 brasileiros se suicidam e, para cada morte, há entre 10 e 20 tentativas.

O Piauí ocupa a quinta posição em números de suicídios do Brasil, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Em Teresina, a cada 100 mil habitantes 6,8 cometem suicídio todos os anos. Dados de janeiro de 2014.

Em Parnaíba, a questão é preocupante, em virtude dos inúmeros casos registrados. Sem falar daqueles com agravantes de homicídio, seguido de suicídio.

De onde vem o desgosto pela vida que se apodera de alguns indivíduos sem motivos plausíveis?

_ Efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da saciedade. L.E - Q. 943

Mente desocupada, ou sem direção, ausência de religiosidade e excessos de toda ordem, podem levar ao suicídio.

A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as ideias materialistas, são os maiores incentivadores do suicídio (...) E.S.E – Cap. V - O Suicídio e a Loucura

No livro - Transtornos mentais – Suely Caldas Schubert, cita o Psiquiatra argentino, Eduardo Kalina, quando esclarece que, o suicídio só em algumas situações tem o caráter de escolha voluntária. “Geralmente, mais que uma opção, se revela como uma conduta psicótica, como um gesto alienado que absorve, por assim dizer, a personalidade inteira de quem o realiza”.

Pode ser motivado pela tentativa de se livrar de uma situação de extrema aflição, para a qual não vê solução. Ideia de perseguição, sem alternativa de fuga. Depressão, doença física incurável, achar que a vida não vale a pena. Atentar contra a vida num impulso de raiva ou para chamar a atenção. Estado psicótico - manifestando através do delírio, alucinações, confusão e prejuízo da memória (estado senil, alcoólicos e drogas).

Na obra - Loucura e obsessão – Manoel P. de Miranda, através do médium Divaldo Franco, esclarece: “O suicídio é a culminância de um estado de alienação que se instala sutilmente. O candidato não pensa com equilíbrio, não se dá conta dos males que o seu gesto produz naqueles que o amam. Como perde a capacidade de discernimento, apega-se-lhe como única solução, esquecido de que o tempo equaciona sempre todos os problemas, não raro, melhor do que a precipitação”.

O psiquiatra Dr. Roberto Lúcio de Belo Horizonte, chama atenção para alguns pontos que considera importante na prevenção:

O provérbio: “Cão que ladra não morde”, é falso quando diz respeito ao suicídio. Muitas pessoas que cometeram suicídio, falaram antes, da sua predisposição.

Ouvir com respeito o desejo do outro em se matar. Muitas vezes, o de que ele mais precisa é ser ouvido.

Predisposição íntima de auxílio, orientando para a busca da ajuda de profissionais especializados. Exercendo vigilância rigorosa do doente e retirando de seu alcance, tudo que possa ser usado em atentado à vida.

Buscar assistência espiritual no seguimento religioso a que a pessoa se afiniza.

A doutrina espírita oferece a terapia espírita, que se compõe do diálogo fraterno, onde a pessoa vai ser ouvida em suas necessidades; o passe, a água fluidificada e o apoio vibratório nas reuniões de desobsessão. Tudo de forma gratuita.

A palestra a seguir, foi realizada na noite de sexta-feira, 11 de setembro, no Centro Espírita Semente Cristã, por ocasião do Dia Mundial de prevenção do suicídio, com o objetivo de alertar para as consequências espirituais em decorrência do suicídio e, demonstrar a magnitude do amor de Deus para com os seus filhos, que se rebelam e rompem com a paternidade divina.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O Suicida na Parábola do Filho Pródigo


Nesta sexta-feira, 11 de setembro, estaremos abordando a questão do suicídio, no estudo do evangelho do Centro Espírita Semente Cristã, como parte da programação do Setembro Amarelo. Dessa forma, faremos uma abordagem confrontando a Parábola do Filho Pródigo com as informações do livro Memórias de um Suicida.

10 de setembro Dia Mundial de prevenção ao Suicídio


sábado, 5 de setembro de 2015

Quando alguém cai, a humanidade com ele tomba

Foto: REUTERS/Nilufer Demir

O sofrimento dos nossos irmãos em humanidade, estão de tal forma expostos que, não dá mais para o mundo ignorar. As imagens registradas em alto mar, assim como os registros dos naufrágios e mortes, caem sobre nós, de forma a nos comover intensamente. Somos parte dessa humanidade que se agita e luta pela paz, pela harmonia e pela felicidade, mesmo ao preço da própria vida.

Georg Novalis, jovem poeta alemão, escreveu há quase duzentos anos: "Quando alguém cai, a humanidade com ele tomba. Quando alguém se levanta, a humanidade com ele se ergue”. Tombamos todos naquela praia e não nos reergueremos, enquanto não assumirmos que, a dor do nosso irmão é também nossa dor.

Incomodados com essa questão, fomos buscar as luzes para o nosso entendimento na codificação espírita e, já na questão 916, da terceira parte de O Livro dos Espíritos, que trata sobre as leis morais, encontramos os espíritos a responder a Allan Kardec, sobre o crescimento do egoísmo em nossa civilização:

“Quanto maior é o mal, mais hediondo se torna. Era preciso que o egoísmo produzisse muito mal, para que compreensível se fizesse a necessidade de extirpá-lo. Os homens, quando se houverem despojado do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, sem se fazerem mal algum, auxiliando-se reciprocamente, impelidos pelo sentimento mútuo da solidariedade. Então, o forte será o amparo e não o opressor do fraco e não mais serão vistos homens a quem falte o indispensável, porque todos praticarão a lei de justiça. Esse o reinado do bem, que os Espíritos estão incumbidos de preparar.”

Já na questão 917, onde Kardec pergunta qual o meio de destruir-se o egoísmo, destacamos o comentário de Fénelon:

Louváveis esforços indubitavelmente se empregam para fazer que a Humanidade progrida. Os bons sentimentos são animados, estimulados e honrados mais do que em qualquer outra época. Entretanto, o egoísmo, verme roedor, continua a ser a chaga social. É um mal real, que se alastra por todo o mundo e do qual cada homem é mais ou menos vítima. Cumpre, pois, combatê-lo, como se combate uma enfermidade epidêmica. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos: ir à origem do mal. Procurem-se em todas as partes do organismo social, da família aos povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências que, ostensiva ou ocultamente, excitam, alimentam e desenvolvem o sentimento do egoísmo. Conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo. Só restará então destruí-las, senão totalmente, de uma só vez, ao menos parcialmente, e o veneno pouco a pouco será eliminado. Poderá ser longa a cura, porque numerosas são as causas, mas não é impossível. Contudo, ela só se obterá se o mal for atacado em sua raiz, isto é, pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres, como se conhece a de manejar as inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação. É grave erro pensar-se que, para exercê-la com proveito baste o conhecimento da Ciência. Quem acompanhar, assim o filho do rico, como o do pobre, desde o instante do nascimento, o observar todas as influências perniciosas que sobre eles atuam, em conseqüência da fraqueza, da incúria e da ignorância dos que os dirigem, observando igualmente com quanta freqüência falham os meios empregados para moralizá-los, não poderá espantar-se de encontrar pelo mundo tantas esquisitices. Faça-se com o moral o que se faz com a inteligência e ver-se-á que, se há naturezas refratárias, muito maior do que se julga é o número das que apenas reclamam boa cultura, para produzir bons frutos.

O homem deseja ser feliz e natural é o sentimento que dá origem a esse desejo. Por isso é que trabalha incessantemente para melhorar a sua posição na Terra, que pesquisa as causas de seus males, para remediá-los. Quando compreender bem que no egoísmo reside uma dessas causas, a que gera o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, que a cada momento o magoam, a que perturba todas as relações sociais, provoca as dissensões, aniquila a confiança, a que o obriga a se manter constantemente na defensiva contra o seu vizinho, enfim a que do amigo faz inimigo, ele compreenderá também que esse vício é incompatível com a sua felicidade e, podemos mesmo acrescentar, com a sua própria segurança. E quanto mais haja sofrido por efeito desse vício, mais sentirá a necessidade de combatê-lo, como se combatem a peste, os animais nocivos e todos os outros flagelos. O seu próprio interesse a isso o induzirá.

O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade o é de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.

domingo, 30 de agosto de 2015

Cura do ódio


No Estudo do Evangelho, que realizamos toda sexta-feira, no Centro Espírita Semente Cristã, estudando o capítulo XII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Amai os vossos inimigos, o item 10 sobre o ódio, estudamos, também, a mensagem de Emmanuel, intitulada, Cura do Ódio, da obra Pão Nosso, onde Emmanuel cita o apóstolo Paulo, em Romanos 12:20.

“Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça”.

A mensagem me fez lembrar de uma narrativa que ouvi certa vez, do Dr. Isaías Claro, palestrante espírita e juiz de direito da vara de família, do Estado de São Paulo e que ilustra muito bem esse comentário do apóstolo Paulo.

Narra o Dr. Isaías que, certa vez, recebeu como juiz um pedido estranho de uma mãe. Ela solicitava autorização para visitar todos os dias no presídio, o assassino de seu filho. Ele achou estranho o pedido, mas, ficou curioso quanto as motivações da mulher. Como espírita, despertou interesse maior em relação à questão que, poderia viabilizar o perdão entre aquelas duas criaturas. Resolveu chamar a mulher para conversar e verificar, até onde seu pedido poderia ser considerado.

No dia marcado para a audiência, compareceu diante dele, uma senhora de idade já avançada, muito simples e de um sorriso encantador que, de imediato, já o conquistou. Cumprindo seu papel de juiz, interrogou-a.

- Por que a senhora deseja autorização para visitar o assassino de seu filho, todos os dias?

- Ah, seu juiz! Eu só tinha aquele filho e ele me tirou. Agora vivo sozinha e sei que ele também não tem mãe. Daí, pensei: porque não, adotá-lo como filho?

Diz o Dr. Isaías, que aquele argumento o convenceu. Autorizou as visitas e passou a acompanhar o desenrolar dos fatos. A partir de então, todos os dias ela adentrava o presídio com uma marmita de comida feita por ela. Chegava saudando o prisioneiro como sendo seu filho, recolhia suas roupas para lavar e retornava trazendo tudo limpo e bem passado.

O efeito de tudo foi impressionante! Chocado, o rapaz perguntava:

- Por que a senhora está fazendo isso comigo?

E chorava pedindo que ela não voltasse mais, pois, o que ela estava fazendo, lhe doía mais do que se ela estivesse ali para agredi-lo.

Ela estava a amontoar brasas de fogo sobre a sua cabeça.

Na mensagem, Cura do ódio, Emmanuel esclarece que, seja por equívocos do passado ou por incompreensões do presente, somos defrontados por inimigos mais fortes que se transformam em constante ameaça à nossa tranquilidade. Quando envidamos esforços a favor da reconciliação e nossas atitudes passam despercebidas, esperemos pela oportunidade de manifestar o bem.

"Um discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos laços inferiores, mas o antagonista de ontem pode persistir muito tempo, no endurecimento do coração. Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento oportuno, é amontoar o fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio, cheio de expressões infernais", orienta Emmanuel.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Lenda austríaca: O zelador da fonte


Conta uma lenda austríaca que, em determinado povoado, havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo Conselho Municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade.

O cavalheiro, com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca.

Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.

Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina.

Rodas d'água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite.As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.

Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente.

Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte.

De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade.

E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma.

Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte, de imediato.

Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas.

Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes.

Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura.

Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens.

O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d'água começaram a girar lentamente, depois pararam.

Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado.

O Conselho Municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido.

Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte.

Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d'água voltaram a funcionar.

Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.

* * *

Assim como o Conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores.

Aqueles que se desdobram, todos os dias, para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas; os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos.

Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa.

Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los.

Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável.

O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável.

Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá.

Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para ser felizes!

Pensemos nisso!



Redação do Momento Espírita com base
no cap. O zelador da fonte, de Charles R.
Swindoll, do livro Histórias para o
coração, de Alice Gray, ed. United Press.
Em 4.3.2013.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Sobre os perigos da leitura e o prazer de Ler


Após compartilhar no Facebook, artigo sobre um modelo de Escola em Tóquio, me deparei com esse texto de Rubem Alves, que diz respeito a leitura, da forma como estamos habituados a fazer. Rubem Alves finaliza o artigo, afirmando que, "me daria por feliz se as nossas escolas ensinassem uma única coisa: o prazer de ler!"

Segue o artigo na integra!

Nos tempos em que eu era professor da UNICAMP fui designado presidente da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o que é um sofrimento. Dizer “esse entra”, “esse não entra” é uma responsabilidade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em vinte minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada? Mas não havia alternativas. Essa era a regra.

Os candidatos amontoavam-se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja leitura era exigida. Aí tive uma idéia que julguei brilhante.

Combinei com os meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esforçando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de todas: “Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!” Pois é claro! Não nos interessávamos por aquilo que ele havia memorizado dos livros. Muitos idiotas têm boa memória. Interessávamos por aquilo que ele pensava.

Poderia falar sobre o que quisesse, desde que fosse aquilo sobre que gostaria de falar. Procurávamos as idéias que corriam no seu sangue! Mas a reação dos candidatos não foi a esperada. Foi o oposto. Pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre que eles gostariam de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre os próprios pensamentos – ah! isso não lhes tinha sido ensinado.

Na verdade nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes. Uma candidata teve um surto e começou a papaguear compulsivamente a teoria de um autor marxista. Acho que ela pensou que aquela pergunta não era para valer.

Não era possível que estivéssemos falando a sério. Deveria ser uma dessas “pegadinhas” sádicas cujo objetivo e confundir o candidato. Por vias das dúvidas ela optou pelo caminho tradicional e tratou de demonstrar que ela havia lido a bibliografia. Aí eu a interrompi e lhe disse: “ Eu já li esse livro. Eu sei o que está escrito nele. E você está repetindo direitinho. Mas nós não queremos ouvir o que já sabemos. Queremos ouvir o que não sabemos. Queremos que você nos conte o que você está pensando, os pensamentos que a ocupam…” Ela não conseguiu. O excesso de leitura a havia feito esquecer e desaprender a arte de pensar.

Parece que esse processo de destruição do pensamento individual é uma consequência natural das nossas práticas educativas. Quanto mais se é obrigado a ler, menos se pensa. Schopenhauer tomou consciência disso e o disse de maneira muito simples em alguns textos sobre livros e leitura. O que se toma por óbvio e evidente é que o pensamento está diretamente ligado ao número de livros lidos. Tanto assim que se criaram técnicas de leitura dinâmica que permitem que se leia “Grande Sertão – Veredas” em pouco mais de três horas.

Ler dinamicamente, como se sabe, é essencial para se preparar para o vestibular e para fazer os clássicos “fichamentos” exigidos pelos professores. Schopenhauer pensa o contrário: “ É por isso que, no que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante.” Isso contraria tudo o que se tem como verdadeiro e é preciso seguir o seu pensamento. Diz ele: “Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental.”

Quanto a isso, não há dúvidas: se pensamos os nossos pensamentos enquanto lemos, na verdade não lemos. Nossa atenção não está no texto. Ele continua: “Durante a leitura nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando esses, finalmente, se retiram, o que resta? Daí se segue que aquele que lê muito e quase o diz inteiro … perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria… Este, no entanto, é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos. Porque a leitura contínua, retomada a todo instante, paralisa o espírito ainda mais que um trabalho manual contínuo…”

Nietzsche pensava o mesmo e chegou a afirmar que, nos seus dias, os eruditos só faziam uma coisa: passar as páginas dos livros. E com isso haviam perdido a capacidade de pensar por si mesmos. “Se não estão virando as páginas de um livro eles não conseguem pensar. Sempre que se dizem pensando eles estão, na realidade, simplesmente respondendo a um estímulo, – o pensamento que leram… Na verdade eles não pensam; eles reagem. (…) Vi isso com meus próprios olhos: pessoas bem dotadas que, aos trinta anos, haviam se arruinado de tanto ler. De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo – ler um livro é simplesmente algo depravado…”

E, no entanto, eu me daria por feliz se as nossas escolas ensinassem uma única coisa: o prazer de ler! Sobre isso falaremos…

Fonte: rubemalves.wordpress.com

domingo, 16 de agosto de 2015

O caso de animismo politizado em psicografia de Tancredo Neves


Precisamos ter cuidado com o tipo de divulgação que fazemos da Doutrina Espírita. Certo tipo de material dado a conta de orientação espiritual, divulgado recentemente nas redes sociais, não compartilho, pois, contradiz toda e qualquer orientação que nos trazem os espíritos nobres e que nos instruem no caminho do bem. Temos que cuidar porque a doutrina espírita está ficando órfão de médiuns psicógrafos sérios e tem muita gente querendo se auto promover a custa da doutrina mesmo que, expondo-a ao ridículo das críticas que se abatem sobre ela. O que possa parecer divulgação, pode não passar de sutil ataque no intento de desacreditá-la.

Não é pelo fato do médium ter várias obras editadas que devemos deixar de lado o critério da análise séria, pois, esse critério deveria partir do próprio médium, a quem o estudo daria o norte. Caridade com a divulgação pode significar não divulgar qualquer coisa em seu nome.

Uma voz criteriosa se levantou de forma esclacedora e, esperamos, outras surjam em defesa de nossa doutrina. Compartilho o artigo, abaixo.

Recebi recentemente a notícia da seguinte psicografia atribuída a Tancredo Neves, conforme site a seguir:
http://colunadobeck.com.br/psicografiaurgente-tancredo-neves-envia-...
O médium fala sobre o texto no vídeo a seguir:
https://www.youtube.com/watch?v=NyWp5aT9MW8

Conforme pontua Kardec, devemos analisar o conteúdo das comunicações. De antemão, observa-se o tom embusteiro e a mistificação grosseira. Primeiramente, até onde se sabe, Tancredo era católico e ressurge em sua psicografia com um conteúdo altamente espiritualista, citando inclusive Kardec de forma equivocada (na realidade, não foi Kardec que falou sobre os espíritos dirigirem a nossa vida, mas os próprios espíritos), além do místico americano Edgar Cayce. O autor espiritual também nos fala de obsessão complexa. Do que se trata o assunto? Parece que o político traz informações do além-túmulo sobre os processos obsessivos no Brasil. O viés maniqueísta da luta do bem conta o mal é quixotesco e infantil no texto. O mundo passa por um período de agitação social e econômica (Europa motivados pela Grécia, Asia motivados pela China) escondidos pela mídia brasileira por fatores dos mais diversos. Nesses locais de tensões supracitados, não se tem a influência espiritual?

É natural que espíritos ignorantes estejam atordoando as consciências, como em todos os tempos da humanidade. Pergunto-me se no tempo da ditadura civil-militar no Brasil, como era a relação entre encarnados e desencardos. Será que não estávamos num momento mais delicado e ferrenho?

O autor espiritual é passional, usando o tom autoritário com vários verbos no imperativo, permeando o discurso por uma retórica florida de termos espiritas. Não obstante, o autor já faz seu julgamento nas entrelinhas (“quadrilhas que tomaram de assalto e aparelharam o governo”, “políticas públicas populistas, com seu idealismo patética distribuir suas migalhas”). Qual espírito conselheiro vem condenar e trazer julgamento?
Que espírito superior tenta direcionar as mentes para uma interpretação única do cenário político?
Que espírito faz ameaças e intimidações (“posicionemos, em nossas redes sociais, em nosso círculo de ação, em nossas famílias, no trabalho e na sociedade, enquanto é tempo”).
Qual espírito defende uma teocracia (“política divina”)? Bem, esse espírito embusteiro seja ele quem for precisa de orações e preces na mesma medida que todo o povo brasileiro e seus políticos. Orar é o caminho. E orar também pelo irmãos e irmãs cristãos que se deixam manipular por mentes ardilosas nas homilias, sermões, psicografias e psicofonias que mercadejam a mediunidade e quaisquer carismas da fé. A fé está ai para unir, não para dividir. Cada vez mais, pelos Cazuzas, Cássia Ellers e Tancredos da vida, que o movimento espírita no Brasil está perdendo todo fundamento kardequiano. Um movimento cada vez mais mistificado, enfraquecido, igrejeiro e beato, com a pilantragem mediúnica, tão corrupto como qualquer político da nação.

“A fascinação tem conseqüências muito mais graves. Trata-se de uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium e que paralisa de certa maneira a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o absurdo do que escreve, mesmo quando este salta aos olhos de todos. A ilusão pode chegar a ponto de levá-lo a considerar sublime a linguagem mais ridícula. Enganam-se os que pensam que esse tipo de obsessão só pode atingir as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de senso. Os homens mais atilados, mais instruídos e inteligentes noutro sentido, não estão mais livres dessa ilusão, o que prova tratar-se de uma aberração produzida por uma causa estranha, cuja influência os subjuga. Dissemos que as conseqüências da fascinação são muito mais graves. Com efeito, graças a essa ilusão que lhe é conseqüente o Espírito dirige a sua vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas como sendo as únicas expressões da verdade. Além disso, pode arrastá-lo a ações ridículas, comprometedoras e até mesmo bastante perigosas.” (Kardec, Allan. Em O Livro dos Médiuns)

A quem interessar, o método comparativo é um dos mais eficientes para averiguar identidade dos espíritos, sua linguagem, o vocabulário, o estilo, a semântica. Comparar os escritos entre diferentes fases, em vida e no além-túmulo lançam luzes na compreensão e fidedignidade da escrita. Abaixo, transcrevo parte do discurso de posse do Sr. Tancredo Neves, antes de desencarnar, discurso proferido no Congresso. Observemos o teor da linguagem, a construção dos períodos e das idéias. Em que sentido se parece com a psicografia pretensamente atríbuida a ele?
“A Nação renasce porque está renascendo nos olhos dos moços. Refletindo-se em suas pupilas, as cores nacionais recebem aquele calor sagrado que torna as pátrias imperecíveis. Brasileiros:

Começamos hoje a viver a Nova República. Deixemos para trás tudo o que nos separa e trabalhemos sem descanso para recuperar os anos perdidos na ilusão e no confronto estéril. Estou certo de que não nos faltará a benevolência de Deus. Entendamos a força sagrada deste momento, em que o povo retoma, solenemente, seu próprio destino.
Juntemos as nossas mãos e unamos as nossas vozes para elevá-las à Pátria, no juramento comum de servi-la com as honras do sacrifício. Peço-vos que canteis, junto conosco, estejais onde estiverdes, o nosso Hino Nacional.
Viva o Brasil.”
( Fonte: Tancredo Neves:Tancredo Neves. Câmara dos Deputados. Centro de Documentação e Informação. Coordenação de Publicações. Brasília, 2001. p. 693-692)
De fato, a tônica do trecho acima é totalmente diferente da suposta psicografia. O tom sereno e unificador conclama o povo sob a benevolência de Deus para se trabalhar por um país melhor. A idéia de companheirismo e patriotismo verdadeiro sem enviesamentos marcam a escrita permeada de esperança, desencorajando inclusive o “confronto estéril”.

Desta forma, não se observa qualquer indício que possa comprovar que o Sr. Tancredo Neves tenha enviado qualquer comunicação ao povo brasileiro.
Causa espanto quando um médium, ao se julgar um mero correio, não observa o conteúdo dos pacotes que direciona. Esse é o tipo de responsabilidade que Kardec recomenda a um médium? O Espírito manda uma mensagem tal e qual, se torna lei? Espanta ainda mais quando um médium já se autojustifica no tocante ao conteúdo da mensagem. Por que o médium consegue antecipar que receberá “pedradas” e se autoproclama ‘corajoso’ diante do míster mediúnico?
Reflitamos cautelosamente acerca da influência perniciosa dos anátemas mediúnicos em nosso meio. O movimento espírita brasileiro cada vez mais se aproxima de uma aberração espiritualista-esotérica, marcada pelo fast food dos eventos de rebanho de ovelhas, que cultuam a física quântica, a glândula pineal e as psicografias “made in animismo”, venerando orador A, palestrante B, doutora fulana de tal, estilando a febre do mercado editorial irresponsável, maior fábrica de médiuns hoje no Brasil. Precisamos de mais Kardec, não aquele embalsamado nas apostilas dos ESDEs. Precisamos de mais Jesus, não aquele senhor morto preso no madeiro. Kardec para sensibilizar a nossa mente. Jesus para racionalizar o nosso coração.

Autor:

Madson Góis é expositor espírita e membro do
Centro Espírita Casa do Caminho em Recife-PE
Créditos e Fonte: Blog do Bruno Tavares Expositor Espírita
https://blogdobrunotavares.wordpress.com/2015/08/12/o-caso-do-animi...



http://www.redeamigoespirita.com.br/

domingo, 9 de agosto de 2015

A Boa Sorte é criada por você mesmo, por isso dura para sempre.

O livro narra uma fábula muito interessante e traz dez regras sobre negócios que, seguidas, levam à Boa Sorte.

Não resisti e transformei as dez regras em um slide que compartilho com vocês.