Iguatemi

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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Como o perdão cura?


Escolhi falar sobre o perdão, por considerar um dos aprendizados mais difíceis da criatura humana. A começar que, a necessidade do perdão só existe porque aconteceu uma agressão, que pode ter sido leve ou grave, mas que gerou a mágoa, que se transformou em ressentimento, que se transformou em ódio, que se transformou em desejo de vingança...

O grave em tudo isso é que, sofremos por agasalhar esses sentimentos em nossa intimidade. E pior, negamos que estamos magoados. E com isso adoecemos. A ciência moderna já confirma que recordações doentias de ódio e vingança, mantidas a longo prazo, resultam em doenças crônicas.

Jesus, o Mestre por excelência, há mais de dois mil anos, traçou o nosso roteiro de libertação através da prática do perdão, nos ensinando a não guardar sentimentos negativos. “Não te digo que perdoe até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.” Apesar dessa orientação de Jesus, a dificuldade de perdoar, persiste. E os males se intensificam.

As descobertas da medicina e os estudos da psicologia, atestam a importância do “Perdão” na melhoria da saúde.

Conforme relado de Fred Luskin, diretor do Projeto do Perdão da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. “Perdoar ajuda a barrar o desenvolvimento de problemas cardíacos e reduz os índices de câncer e outras doenças ligadas aos sentimentos negativos.”

Deepak Chopra, médico indiano no livro - A Cura Quântica, esclarece como o perdão cura:

“Quando temos um ressentimento ou uma mágoa, ou sentimos hostilidade contra alguém, ou alguma emoção tóxica: culpa, depressão, medo... lançamos no sistema cardiovascular e também no sistema imunológico, hormônios como adrenalina e cortisona e ficamos comprometidos imunologicamente. Até mesmo nossas plaquetas ficam tensas, com altos níveis de adrenalina e começam a criar coagulação sanguínea que podem levar a doenças cardiovasculares, ataques do coração e derrames.”

“Quando perdoamos, tudo se acalma. Os hormônios que estão associados com as respostas estressadas se acalmam. Hoje é evidencia que lançamos outros tipos de neurotransmissores que são moderadores imunológicos e nosso corpo começa a voltar a homeostase (propriedade de manter as condições internas estáveis e ideais para o metabolismo) que é auto-regulação e auto cura. Nossos hormônios, nossa bioquímica, açúcar no sangue, temperatura do corpo e centenas de parâmetros também voltam à origem. É dessa maneira que o perdão cura.”

Há, porém, duas maneiras bem diferentes de perdoar, nos ensina a doutrina espírita:

Uma, grande, nobre, verdadeiramente generosa, sem pensamento oculto, que evita, com delicadeza, ferir o amor próprio e a suscetibilidade do adversário, ainda quando este último nenhuma justificativa possa ter;

A segunda é a em que o ofendido, ou aquele que tal se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz sentir o peso de um perdão que irrita, em vez de acalmar; se estende a mão ao ofensor, não o faz com benevolência, mas com ostentação, a fim de poder dizer a toda gente: vede como sou generoso!

Chico Xavier recomendava: “Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente. Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhe são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazemos também as nossas.”

O maior beneficiário do perdão não é, como parece, aquele que o recebe, mas o que o concede.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

A surpreendente morte


A morte sempre vai nos surpreender, embora nunca tenha mudado sua estratégia. Sempre sorrateira, silenciosa e deixando um rastro de dor, prossegue desafiando a vida, sempre vitoriosa. 


Ela sempre chega em momento inoportuno. Não a convidamos mas ela comparece, quando e onde bem entende.

Ela estabelece o seu calendário de visitas, totalmente aleatório aos nossos olhos mortais. Mas preciso, especialmente concorde com a Lei Divina, em cada detalhe.

Somente os que não estejam em equilíbrio mental é que a evocam, desejando-lhe a presença.

Todos os demais preferimos deixar para mais tarde, mais tarde...

É a morte, essa não desejada presença.

Ela dilacera corações plenos de esperança e nos leva a perguntar: Por quê? Por que agora? Por que com minha família?

Assim foi com a família Camargos. Na cidade de Natal, no Nordeste brasileiro, no dia doze de janeiro, a pequena Giovanna fazia seis anos.

Festa de aniversário. Tudo pronto para a comemoração. Pouco antes das oito horas da noite, a família só aguardava o telefonema do pai da menina, para a comemoração.

Ele integrava a missão de paz do exército brasileiro no Haiti. E ele adorava seu trabalho. O único senão eram as saudades da família: a mulher e dois filhos.

Seu retorno ao Brasil estava marcado para o dia vinte e oito. E ele dizia para a esposa que ela acabaria ficando enjoada dele, porque passariam o tempo todo juntos.

Veio o telefonema, ele falou com Giovanna. E a esposa pediu que ele ficasse um pouco mais na linha para cantar o Parabéns pra você.

Mas, de repente, a conexão do Skype caiu. Ela tentou ligar de volta. Sem êxito. A festa continuou.

No dia seguinte, o cunhado ligou para saber notícias de Raniel.

Está bem, informou Heloísa. Conversamos ontem à noite.

Ela não sabia do terremoto e, ao tomar conhecimento, se deu conta que fora a hora em que conversara com seu marido.

Na mesma tarde, um telefonema do batalhão onde Raniel servia, confirmou para a família que ele fora uma das vítimas do terremoto no Haiti.

Embora a tristeza, Heloísa diria mais tarde:

O que me consola é que Raniel morreu fazendo o que sempre quis: ajudar os necessitados e servir ao seu país.

Ele morreu como um herói.

As palavras da esposa traduzem o sentimento sublimado do amor. Ela sabia que o marido amava o seu trabalho, no exército brasileiro.

A saudade é grande. Os filhos perguntam pelo pai e terão que se habituar à sua ausência física.

Mas, eles terão a presença do ser amado em suas vidas nas doces lembranças, no telefonema de aniversário, nos sonhos...

Para essa família, como para todos os que cremos na Imortalidade, existe a certeza de que o Subtenente Raniel somente abandonou o casulo de carne.

Ele prossegue vivendo e amando, na Espiritualidade.

Que esse exemplo de serenidade nos possa servir.

Preparemo-nos. Quando a morte chegar, de inopino, rompendo nossos mais acalentados planos, pensemos: foi só um adiamento de tudo que planejamos. Logo mais tornaremos a estar juntos.



Redação do Momento Espírita, com base no artigo Heróis no Haiti (O soldado), da revista Seleções Reader’s Digest, de abril de 2010.
Em 29.10.2010.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

De todas as certezas que pode ter o ser humano, a morte é sem dúvida uma delas.


Apesar de saber que todos iremos morrer um dia, a morte sempre nos surpreende. Principalmente, quando ela retira de cena alguém cheio de vida, que faz parte da nossa convivência e com quem esperávamos passar o restante de nossos dias.

A contabilidade da vida não é feita por nós. Se assim fosse, reteríamos indefinidamente os entes mais queridos e descartaríamos antecipadamente aqueles a quem julgássemos de menor importância e que, de alguma forma, nos trouxesse desconforto à vida.

A morte deveria ser pensada por todos nós, não de forma a nos enlouquecer pela dor da perda. E sim, como forma de valorizarmos mais a oportunidade do convívio familiar e amigo, pois, não sabemos de quanto tempo dispomos para estar ao lado dos seres amados.

Desperdiçamos a oportunidade, fazendo uso da crítica, da rejeição, da não aceitação do outro por suas escolhas e quando nos damos conta, nosso ente se foi. Muitos partem sem receber o abraço esperado, o reconhecimento desejado e o perdão pelas atitudes equivocadas.

A mensagem – A hora da morte – da página Momento Espírita transcrita a seguir, expressa de forma mais intensa, o que desejo transmitir.

De todas as certezas que pode ter o ser humano, a morte é sem dúvida uma delas.
Quem nasce já está fadado à morte. Mensageira estranha, por vezes, abraça antes os mais jovens e os mais sadios, deixando para trás idosos e doentes.
Contudo, sempre chega. Paradoxalmente, é um dos assuntos que quase todo mundo evita tocar.
É por isso mesmo que, quando chega, sempre surpreende.
Também por esse motivo, muitas lágrimas são derramadas sobre os túmulos.
Lágrimas que se casam a exclamações como: “Ah, se eu soubesse que era o seu último dia! Se eu soubesse que ele iria morrer, não teria sido tão mau! Se eu soubesse que ele partiria tão cedo, teria abraçado mais, dito como o amava, sido melhor para ele.”
Por tudo isso, é bom considerar que nossa existência é muito efêmera. Hoje estamos aqui, amanhã poderemos não nos encontrar mais deste lado da vida.
O ser amado que se despede para o trabalho diário, pode não retornar. A criança que corre pela rua, rumo à escola, pode não voltar para casa.
Como a irmã daquele menino de apenas 10 anos. Ele entrou em casa e chamou pela mãe.
Ela estava no quarto, sentada, quieta.
“Sua irmã morreu esta manhã, Michael.” – foi o que disse.
O conceito de morte não tinha um significado concreto para aquele garotinho.
Durante muito tempo ele perguntava à mãe: “ela vai voltar? Por que ela teve de morrer?”
E ficava em frente à casa, esperando que o ônibus escolar a trouxesse de volta.
Entrava no quarto dela e apanhava a sua pasta escolar. Tudo estava bem arrumado – os cadernos de um lado, os livros do outro, o estojo de lápis no meio.
A faixa preta de elástico que ela usava nos cabelos quando foi para o colégio naquela manhã.
Depois, devolvia tudo certinho no seu lugar. Perguntava-se, se a irmã ficaria zangada por ele ter mexido em suas coisas.
O que ele realmente jamais esqueceria foi o que aconteceu duas noites antes da irmã morrer.
Ele esperou o ônibus que a trazia da escola. Estava preocupada. Esquecera de um trabalho de arte que devia entregar no dia seguinte.
Ele a foi ajudar e juntos fizeram 12 borboletas coloridas, de antenas enroladas e asas triangulares.
No dia em que ela morreu, ele estranhamente despertou mais cedo.
Observou-a se aprontando para a escola.
Como o vão da escada no prédio era muito escuro, ele ficou segurando a porta aberta para que a luz do apartamento a ajudasse enxergar os degraus.
Uma das mãos dela segurava a pasta, a outra balançava, enquanto descia os degraus.
Estava de uniforme azul. Tinha só 14 anos. E suas últimas palavras para Michael foram: “Até logo, irmão.”
Passadas mais de 4 décadas, Michael ainda guarda a lembrança de sua irmã.
Quando vê uma borboleta, recorda de imediato daquele último trabalho que fizeram juntos.
E espera. Porque, um dia, ele também fará essa viagem para o grande além.
Nesse dia, finalmente, ele a verá outra vez.

***

Ame muito. Usufrua a companhia dos afetos.
Quando um deles se for, poderá acalentar seus dias com as doces lembranças dos afagos compartilhados.
E isso amenizará sua grande saudade.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita com base no artigo A despedida, de Michael Tan, da revista Seleções do Reader´s Digest, outubro/2005.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Oração pelos filhos que saíram pra balada


Qual a mãe que não perdeu noites de sono a espera do filho que saiu pra balada? Com o passar das horas, não há quem não recorra à prece, principalmente quando o celular não atende e não se sabe onde o filho se encontra e nem com quem.

Nessas horas, a gente lembra o relato de algumas mães que perderam tragicamente seus filhos e que, tanto pediram a Deus pelo seu retorno em paz. E por que não foram atendidas? “Deus estava surdo aos meus apelos”, desabafou uma mãe.

Será que Deus ouve algumas mães e outras não? Será que ele atende o apelo de uns e de outros não?

É comum ouvir alguém dizer: Deus ouviu minhas preces! Como se Deus tivesse preferências.

Foi pensando nessas mães que a minha oração mudou. E eu passei a orar assim:

Pai de infinita bondade e misericórdia, antes que ele viesse a ser meu filho, ele nasceu do Teu amor, que é um pai bondoso e que cuida com carinho dos seus filhos. Por isso, rogo-Te amparo e proteção para que, onde quer que ele se encontre, possa receber as boas vibrações do seu amigo guardião e, envolvido nessas vibrações, afaste-se do que possa sinalizar perigo e retorne em paz para casa. E que não seja ele a causa do mal a quem quer que seja.


sábado, 4 de julho de 2015

Em meio ao caos que se instalou em nossa sociedade, pergunto: por onde anda a família?


Tenho acompanhado os noticiários e propostas de leis que definem a idade mínima, a partir da qual o sistema judiciário pode processar um cidadão como uma pessoa que se responsabiliza por seus atos. Não pretendo polemizar, daí não me posicionar contra ou a favor. Mas, no meu entender, há uma questão que está sendo colocada à margem em toda essa discussão e que, diz respeito à Família.

Licurgo, legislador de Esparta, século V a.C. já dizia: "Se o homem se educa, aprende a corrigir as más inclinações e a dominar os vícios; porém, se se deixar abandonado aos seus instintos, será vítima dos excessos infames".

A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter. Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a Universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem, diz o espírito Emmanuel.
Pierre Weil, educador e psicólogo francês, comenta na obra de sua autoria, A criança, o lar e a escola: “No mundo inteiro está se passando fenômeno muito sério e cujas conseqüências ainda não podem ser avaliadas inteiramente: o da transmissão progressiva dos poderes dos pais e da família para os mestres e a escola. E alerta: Todas as Experiências educacionais no sentido de substituir a família por internatos, cidades de crianças ou lares artificiais em pavilhões, fracassaram, pois a família se revelou fator indispensável à educação da criança e sobretudo à sua estabilidade emocional”.

A família está se esquivando do papel que lhe compete e o resultado não pode ser pior. Os pais estão cada vez mais envolvidos com o trabalho e atividades sociais. Os filhos, desde cedo são entregues à terceiros: auxiliares domésticos, avós e outros familiares e, para compensar a ausência, são substituídos por objetos de consumo.

A geração atual é moldada pela televisão e internet. Os jovens já não olham nos olhos, pois estão fixos em telas de computador ou celular. Um mundo onde a família não tem espaço e onde, geralmente, o jovem se esconde deixando de exercitar a convivência em família e desenvolver a afetividade. O cenário não pode ser pior do que o que estamos a observar.

Os pais não sabem quem são seus filhos e os filhos, muito menos, sabem quem são seus pais. Dessa forma, a família perde a valiosa oportunidade de ser o alicerce sobre o qual a sociedade se edifica, pois no dizer dos espíritos, a sociedade é o conjunto de lares e cada um desses lares é uma mini-sociedade, onde procedemos à reforma de nossa visão, conceitos, conduta, que se refletirão na sociedade global.

Que a sociedade se volte com o mesmo vigor em defesa da Família se quer ser socorrida e transformada.