Iguatemi

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domingo, 30 de agosto de 2015

Cura do ódio


No Estudo do Evangelho, que realizamos toda sexta-feira, no Centro Espírita Semente Cristã, estudando o capítulo XII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Amai os vossos inimigos, o item 10 sobre o ódio, estudamos, também, a mensagem de Emmanuel, intitulada, Cura do Ódio, da obra Pão Nosso, onde Emmanuel cita o apóstolo Paulo, em Romanos 12:20.

“Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça”.

A mensagem me fez lembrar de uma narrativa que ouvi certa vez, do Dr. Isaías Claro, palestrante espírita e juiz de direito da vara de família, do Estado de São Paulo e que ilustra muito bem esse comentário do apóstolo Paulo.

Narra o Dr. Isaías que, certa vez, recebeu como juiz um pedido estranho de uma mãe. Ela solicitava autorização para visitar todos os dias no presídio, o assassino de seu filho. Ele achou estranho o pedido, mas, ficou curioso quanto as motivações da mulher. Como espírita, despertou interesse maior em relação à questão que, poderia viabilizar o perdão entre aquelas duas criaturas. Resolveu chamar a mulher para conversar e verificar, até onde seu pedido poderia ser considerado.

No dia marcado para a audiência, compareceu diante dele, uma senhora de idade já avançada, muito simples e de um sorriso encantador que, de imediato, já o conquistou. Cumprindo seu papel de juiz, interrogou-a.

- Por que a senhora deseja autorização para visitar o assassino de seu filho, todos os dias?

- Ah, seu juiz! Eu só tinha aquele filho e ele me tirou. Agora vivo sozinha e sei que ele também não tem mãe. Daí, pensei: porque não, adotá-lo como filho?

Diz o Dr. Isaías, que aquele argumento o convenceu. Autorizou as visitas e passou a acompanhar o desenrolar dos fatos. A partir de então, todos os dias ela adentrava o presídio com uma marmita de comida feita por ela. Chegava saudando o prisioneiro como sendo seu filho, recolhia suas roupas para lavar e retornava trazendo tudo limpo e bem passado.

O efeito de tudo foi impressionante! Chocado, o rapaz perguntava:

- Por que a senhora está fazendo isso comigo?

E chorava pedindo que ela não voltasse mais, pois, o que ela estava fazendo, lhe doía mais do que se ela estivesse ali para agredi-lo.

Ela estava a amontoar brasas de fogo sobre a sua cabeça.

Na mensagem, Cura do ódio, Emmanuel esclarece que, seja por equívocos do passado ou por incompreensões do presente, somos defrontados por inimigos mais fortes que se transformam em constante ameaça à nossa tranquilidade. Quando envidamos esforços a favor da reconciliação e nossas atitudes passam despercebidas, esperemos pela oportunidade de manifestar o bem.

"Um discípulo sincero do Cristo liberta-se facilmente dos laços inferiores, mas o antagonista de ontem pode persistir muito tempo, no endurecimento do coração. Eis o motivo pelo qual dar-lhe todo o bem, no momento oportuno, é amontoar o fogo renovador sobre a sua cabeça, curando-lhe o ódio, cheio de expressões infernais", orienta Emmanuel.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Lenda austríaca: O zelador da fonte


Conta uma lenda austríaca que, em determinado povoado, havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo Conselho Municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade.

O cavalheiro, com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca.

Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.

Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina.

Rodas d'água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite.As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.

Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente.

Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte.

De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade.

E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma.

Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte, de imediato.

Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas.

Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes.

Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura.

Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens.

O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d'água começaram a girar lentamente, depois pararam.

Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado.

O Conselho Municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido.

Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte.

Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d'água voltaram a funcionar.

Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.

* * *

Assim como o Conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores.

Aqueles que se desdobram, todos os dias, para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas; os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos.

Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa.

Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los.

Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável.

O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável.

Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá.

Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para ser felizes!

Pensemos nisso!



Redação do Momento Espírita com base
no cap. O zelador da fonte, de Charles R.
Swindoll, do livro Histórias para o
coração, de Alice Gray, ed. United Press.
Em 4.3.2013.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Sobre os perigos da leitura e o prazer de Ler


Após compartilhar no Facebook, artigo sobre um modelo de Escola em Tóquio, me deparei com esse texto de Rubem Alves, que diz respeito a leitura, da forma como estamos habituados a fazer. Rubem Alves finaliza o artigo, afirmando que, "me daria por feliz se as nossas escolas ensinassem uma única coisa: o prazer de ler!"

Segue o artigo na integra!

Nos tempos em que eu era professor da UNICAMP fui designado presidente da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o que é um sofrimento. Dizer “esse entra”, “esse não entra” é uma responsabilidade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em vinte minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada? Mas não havia alternativas. Essa era a regra.

Os candidatos amontoavam-se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja leitura era exigida. Aí tive uma idéia que julguei brilhante.

Combinei com os meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esforçando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de todas: “Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!” Pois é claro! Não nos interessávamos por aquilo que ele havia memorizado dos livros. Muitos idiotas têm boa memória. Interessávamos por aquilo que ele pensava.

Poderia falar sobre o que quisesse, desde que fosse aquilo sobre que gostaria de falar. Procurávamos as idéias que corriam no seu sangue! Mas a reação dos candidatos não foi a esperada. Foi o oposto. Pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre que eles gostariam de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre os próprios pensamentos – ah! isso não lhes tinha sido ensinado.

Na verdade nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes. Uma candidata teve um surto e começou a papaguear compulsivamente a teoria de um autor marxista. Acho que ela pensou que aquela pergunta não era para valer.

Não era possível que estivéssemos falando a sério. Deveria ser uma dessas “pegadinhas” sádicas cujo objetivo e confundir o candidato. Por vias das dúvidas ela optou pelo caminho tradicional e tratou de demonstrar que ela havia lido a bibliografia. Aí eu a interrompi e lhe disse: “ Eu já li esse livro. Eu sei o que está escrito nele. E você está repetindo direitinho. Mas nós não queremos ouvir o que já sabemos. Queremos ouvir o que não sabemos. Queremos que você nos conte o que você está pensando, os pensamentos que a ocupam…” Ela não conseguiu. O excesso de leitura a havia feito esquecer e desaprender a arte de pensar.

Parece que esse processo de destruição do pensamento individual é uma consequência natural das nossas práticas educativas. Quanto mais se é obrigado a ler, menos se pensa. Schopenhauer tomou consciência disso e o disse de maneira muito simples em alguns textos sobre livros e leitura. O que se toma por óbvio e evidente é que o pensamento está diretamente ligado ao número de livros lidos. Tanto assim que se criaram técnicas de leitura dinâmica que permitem que se leia “Grande Sertão – Veredas” em pouco mais de três horas.

Ler dinamicamente, como se sabe, é essencial para se preparar para o vestibular e para fazer os clássicos “fichamentos” exigidos pelos professores. Schopenhauer pensa o contrário: “ É por isso que, no que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante.” Isso contraria tudo o que se tem como verdadeiro e é preciso seguir o seu pensamento. Diz ele: “Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental.”

Quanto a isso, não há dúvidas: se pensamos os nossos pensamentos enquanto lemos, na verdade não lemos. Nossa atenção não está no texto. Ele continua: “Durante a leitura nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. Quando esses, finalmente, se retiram, o que resta? Daí se segue que aquele que lê muito e quase o diz inteiro … perde, paulatinamente, a capacidade de pensar por conta própria… Este, no entanto, é o caso de muitos eruditos: leram até ficar estúpidos. Porque a leitura contínua, retomada a todo instante, paralisa o espírito ainda mais que um trabalho manual contínuo…”

Nietzsche pensava o mesmo e chegou a afirmar que, nos seus dias, os eruditos só faziam uma coisa: passar as páginas dos livros. E com isso haviam perdido a capacidade de pensar por si mesmos. “Se não estão virando as páginas de um livro eles não conseguem pensar. Sempre que se dizem pensando eles estão, na realidade, simplesmente respondendo a um estímulo, – o pensamento que leram… Na verdade eles não pensam; eles reagem. (…) Vi isso com meus próprios olhos: pessoas bem dotadas que, aos trinta anos, haviam se arruinado de tanto ler. De manhã cedo, quando o dia nasce, quando tudo está nascendo – ler um livro é simplesmente algo depravado…”

E, no entanto, eu me daria por feliz se as nossas escolas ensinassem uma única coisa: o prazer de ler! Sobre isso falaremos…

Fonte: rubemalves.wordpress.com

domingo, 16 de agosto de 2015

O caso de animismo politizado em psicografia de Tancredo Neves


Precisamos ter cuidado com o tipo de divulgação que fazemos da Doutrina Espírita. Certo tipo de material dado a conta de orientação espiritual, divulgado recentemente nas redes sociais, não compartilho, pois, contradiz toda e qualquer orientação que nos trazem os espíritos nobres e que nos instruem no caminho do bem. Temos que cuidar porque a doutrina espírita está ficando órfão de médiuns psicógrafos sérios e tem muita gente querendo se auto promover a custa da doutrina mesmo que, expondo-a ao ridículo das críticas que se abatem sobre ela. O que possa parecer divulgação, pode não passar de sutil ataque no intento de desacreditá-la.

Não é pelo fato do médium ter várias obras editadas que devemos deixar de lado o critério da análise séria, pois, esse critério deveria partir do próprio médium, a quem o estudo daria o norte. Caridade com a divulgação pode significar não divulgar qualquer coisa em seu nome.

Uma voz criteriosa se levantou de forma esclacedora e, esperamos, outras surjam em defesa de nossa doutrina. Compartilho o artigo, abaixo.

Recebi recentemente a notícia da seguinte psicografia atribuída a Tancredo Neves, conforme site a seguir:
http://colunadobeck.com.br/psicografiaurgente-tancredo-neves-envia-...
O médium fala sobre o texto no vídeo a seguir:
https://www.youtube.com/watch?v=NyWp5aT9MW8

Conforme pontua Kardec, devemos analisar o conteúdo das comunicações. De antemão, observa-se o tom embusteiro e a mistificação grosseira. Primeiramente, até onde se sabe, Tancredo era católico e ressurge em sua psicografia com um conteúdo altamente espiritualista, citando inclusive Kardec de forma equivocada (na realidade, não foi Kardec que falou sobre os espíritos dirigirem a nossa vida, mas os próprios espíritos), além do místico americano Edgar Cayce. O autor espiritual também nos fala de obsessão complexa. Do que se trata o assunto? Parece que o político traz informações do além-túmulo sobre os processos obsessivos no Brasil. O viés maniqueísta da luta do bem conta o mal é quixotesco e infantil no texto. O mundo passa por um período de agitação social e econômica (Europa motivados pela Grécia, Asia motivados pela China) escondidos pela mídia brasileira por fatores dos mais diversos. Nesses locais de tensões supracitados, não se tem a influência espiritual?

É natural que espíritos ignorantes estejam atordoando as consciências, como em todos os tempos da humanidade. Pergunto-me se no tempo da ditadura civil-militar no Brasil, como era a relação entre encarnados e desencardos. Será que não estávamos num momento mais delicado e ferrenho?

O autor espiritual é passional, usando o tom autoritário com vários verbos no imperativo, permeando o discurso por uma retórica florida de termos espiritas. Não obstante, o autor já faz seu julgamento nas entrelinhas (“quadrilhas que tomaram de assalto e aparelharam o governo”, “políticas públicas populistas, com seu idealismo patética distribuir suas migalhas”). Qual espírito conselheiro vem condenar e trazer julgamento?
Que espírito superior tenta direcionar as mentes para uma interpretação única do cenário político?
Que espírito faz ameaças e intimidações (“posicionemos, em nossas redes sociais, em nosso círculo de ação, em nossas famílias, no trabalho e na sociedade, enquanto é tempo”).
Qual espírito defende uma teocracia (“política divina”)? Bem, esse espírito embusteiro seja ele quem for precisa de orações e preces na mesma medida que todo o povo brasileiro e seus políticos. Orar é o caminho. E orar também pelo irmãos e irmãs cristãos que se deixam manipular por mentes ardilosas nas homilias, sermões, psicografias e psicofonias que mercadejam a mediunidade e quaisquer carismas da fé. A fé está ai para unir, não para dividir. Cada vez mais, pelos Cazuzas, Cássia Ellers e Tancredos da vida, que o movimento espírita no Brasil está perdendo todo fundamento kardequiano. Um movimento cada vez mais mistificado, enfraquecido, igrejeiro e beato, com a pilantragem mediúnica, tão corrupto como qualquer político da nação.

“A fascinação tem conseqüências muito mais graves. Trata-se de uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium e que paralisa de certa maneira a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o absurdo do que escreve, mesmo quando este salta aos olhos de todos. A ilusão pode chegar a ponto de levá-lo a considerar sublime a linguagem mais ridícula. Enganam-se os que pensam que esse tipo de obsessão só pode atingir as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de senso. Os homens mais atilados, mais instruídos e inteligentes noutro sentido, não estão mais livres dessa ilusão, o que prova tratar-se de uma aberração produzida por uma causa estranha, cuja influência os subjuga. Dissemos que as conseqüências da fascinação são muito mais graves. Com efeito, graças a essa ilusão que lhe é conseqüente o Espírito dirige a sua vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas como sendo as únicas expressões da verdade. Além disso, pode arrastá-lo a ações ridículas, comprometedoras e até mesmo bastante perigosas.” (Kardec, Allan. Em O Livro dos Médiuns)

A quem interessar, o método comparativo é um dos mais eficientes para averiguar identidade dos espíritos, sua linguagem, o vocabulário, o estilo, a semântica. Comparar os escritos entre diferentes fases, em vida e no além-túmulo lançam luzes na compreensão e fidedignidade da escrita. Abaixo, transcrevo parte do discurso de posse do Sr. Tancredo Neves, antes de desencarnar, discurso proferido no Congresso. Observemos o teor da linguagem, a construção dos períodos e das idéias. Em que sentido se parece com a psicografia pretensamente atríbuida a ele?
“A Nação renasce porque está renascendo nos olhos dos moços. Refletindo-se em suas pupilas, as cores nacionais recebem aquele calor sagrado que torna as pátrias imperecíveis. Brasileiros:

Começamos hoje a viver a Nova República. Deixemos para trás tudo o que nos separa e trabalhemos sem descanso para recuperar os anos perdidos na ilusão e no confronto estéril. Estou certo de que não nos faltará a benevolência de Deus. Entendamos a força sagrada deste momento, em que o povo retoma, solenemente, seu próprio destino.
Juntemos as nossas mãos e unamos as nossas vozes para elevá-las à Pátria, no juramento comum de servi-la com as honras do sacrifício. Peço-vos que canteis, junto conosco, estejais onde estiverdes, o nosso Hino Nacional.
Viva o Brasil.”
( Fonte: Tancredo Neves:Tancredo Neves. Câmara dos Deputados. Centro de Documentação e Informação. Coordenação de Publicações. Brasília, 2001. p. 693-692)
De fato, a tônica do trecho acima é totalmente diferente da suposta psicografia. O tom sereno e unificador conclama o povo sob a benevolência de Deus para se trabalhar por um país melhor. A idéia de companheirismo e patriotismo verdadeiro sem enviesamentos marcam a escrita permeada de esperança, desencorajando inclusive o “confronto estéril”.

Desta forma, não se observa qualquer indício que possa comprovar que o Sr. Tancredo Neves tenha enviado qualquer comunicação ao povo brasileiro.
Causa espanto quando um médium, ao se julgar um mero correio, não observa o conteúdo dos pacotes que direciona. Esse é o tipo de responsabilidade que Kardec recomenda a um médium? O Espírito manda uma mensagem tal e qual, se torna lei? Espanta ainda mais quando um médium já se autojustifica no tocante ao conteúdo da mensagem. Por que o médium consegue antecipar que receberá “pedradas” e se autoproclama ‘corajoso’ diante do míster mediúnico?
Reflitamos cautelosamente acerca da influência perniciosa dos anátemas mediúnicos em nosso meio. O movimento espírita brasileiro cada vez mais se aproxima de uma aberração espiritualista-esotérica, marcada pelo fast food dos eventos de rebanho de ovelhas, que cultuam a física quântica, a glândula pineal e as psicografias “made in animismo”, venerando orador A, palestrante B, doutora fulana de tal, estilando a febre do mercado editorial irresponsável, maior fábrica de médiuns hoje no Brasil. Precisamos de mais Kardec, não aquele embalsamado nas apostilas dos ESDEs. Precisamos de mais Jesus, não aquele senhor morto preso no madeiro. Kardec para sensibilizar a nossa mente. Jesus para racionalizar o nosso coração.

Autor:

Madson Góis é expositor espírita e membro do
Centro Espírita Casa do Caminho em Recife-PE
Créditos e Fonte: Blog do Bruno Tavares Expositor Espírita
https://blogdobrunotavares.wordpress.com/2015/08/12/o-caso-do-animi...



http://www.redeamigoespirita.com.br/

domingo, 9 de agosto de 2015

A Boa Sorte é criada por você mesmo, por isso dura para sempre.

O livro narra uma fábula muito interessante e traz dez regras sobre negócios que, seguidas, levam à Boa Sorte.

Não resisti e transformei as dez regras em um slide que compartilho com vocês.



sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Quando você se tornou pai?

Meu genro Jorge André, minha filha Alessandra e minhas netas, Bruna, Mirela e Giovana.

Neste Dia dos Pais, nossa homenagem é de agradecimento ao Pai Maior, por permitir que pudéssemos sentir a sua presença, através do amor, do cuidado e do carinho dos pais terrenos.

Por estarmos comemorando neste domingo, o Dia dos Pais, a nossa reflexão diz respeito a paternidade.

Quando você se tornou pai?

Se respondeu: quando meu filho (a), nasceu, respondeu errado. O fato de contribuir para um novo ser vir ao mundo não o torna pai. Muitas crianças vieram ao mundo sem que aquele que seria seu genitor tomasse conhecimento de sua existência, o que não os tornou pais.

O homem se torna pai, quando se responsabiliza pelo pequeno ser que gerou. Essa responsabilidade não se limita apenas aos primeiros dias de vida ou infância, mas, se estende por toda existência. Consideremos, também que, muitas crianças trazidas ao lar pelas bênçãos da adoção, recebem do pai o mesmo carinho dedicado aos filhos da carne.

A paternidade, portanto, é missão e ao mesmo tempo, dever. A esse respeito, Allan Kardec, na questão 582 de O Livro dos Espíritos, interroga se a paternidade pode ser considerada como missão e, os Espíritos respondem:

“Sem dúvidas que é uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que o homem pensa, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização fraca e delicada, que o torna propício a todas as impressões. No entanto, há muitos que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho. Se este vier a falir por culpa deles, suportarão os desgostos resultantes dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do bem.”

Dessa forma, compreendemos que, a paternidade é projeto divino e que o Criador conta com os pais da Terra, na condução de seus filhos em trânsito pela estrada da evolução. E que o filho, um dia, experienciará a paternidade, onde transmitirá a seus filhos o aprendizado recebido dos pais.

Um livro intitulado The Parent’s Handbook ou "Manual dos Pais", sugere sete regras básicas para ser um bom pai:

1ª - comporte-se naturalmente.
Dê atenção na medida certa. Se você exagerar com frequência, quando por qualquer motivo reduzir sua atenção, seu filho se sentirá desprezado.

2ª - diga sempre a seu filho que o ama. Principalmente quando ele não espera esse tipo de declaração. Não economize nos gestos. Beijos, carinhos, abraços, emoção, muitas vezes valem mais que uma dezena de atitudes.

3ª - vale mais encorajar do que repreender; incentivar do que premiar. Dizer com sinceridade: "eu confio na sua capacidade de decisão", eu aposto no seu discernimento".

4ª - ouça seu filho! (Talvez, a mais importante das recomendações). Aprenda a ouvir o que ele tem a dizer. Ouça tudo e até o fim. Não interrompa, não conclua nem o obrigue a concluir no meio do relato. Mais do que a sua opinião ele quer contar para você...

5ª - mesmo diante de uma aparente falta grave, procure não criticá-lo duramente. Deixe que ele lhe dê as próprias razões. Se você não se convencer, tente refletir em conjunto, ajudando-o a perceber o que o levou a errar, tornando-o capaz de identificar o erro.

6ª - por mais certeza que você tenha do que vai acontecer, nos casos que não ponham em risco a integridade de seu filho, permita que ele experimente e conclua por si mesmo. O melhor aprendizado ainda é o da própria experiência.

7ª - trate seu filho com a mesma educação e cordialidade que você reserva para seus amigos. Agindo assim, por certo ele acabará se tornando o melhor de todos os seus amigos.

Essas regras não definem o "Pai Perfeito", mas, aqueles que a seguirem, trilharão uma estrada de bênçãos, na condução de seus filhos rumo a evolução.

De minha parte, acrescentaria uma 8ª regra: apresente seu filho a Jesus.

“Quando Jesus se adentra no lar, a família se reconstrói e os seus membros descobrem os objetivos da consanguinidade, estabelecendo metas de dignificação, que são alcançadas a pouco e pouco,” diz o Espírito Joanna de Ângelis.

Feliz Dia dos Pais!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A arte de viver a vida


Livro tem que me encantar já nas primeiras linhas, se não, desisto da leitura. Pode ser volumoso, não importa, contanto que a leitura flua. Já desisti de ler alguns livros, "fininhos" mas que o autor não conseguiu me conquistar.

Procurando por uma leitura agradável, me deparei com este do Pierre Weil, autor já conhecido de outras obras e que me chamou a atenção pelo título - A arte de viver a vida - tema que sempre me atrai.

De início, me deparei com um texto de Roberto Crema com o qual me identifiquei, pois, estou sempre contando estórias do que vivi e concordo que nascemos para contar estórias. Vamos ao texto:

Nascemos para contar uma estória única, como o mistério de nossos semblantes. Ninguém poderá contá-la por nós. Caso a nossa estória não seja contada ela se perderá para sempre, condenando nossas existências ao anonimato do indiferenciado e da falta de sentido. Toda estória é numinosa, contendo luzes e sombras, maravilhas e terrores, delícias e dilaceramentos. E, na estória que inventamos na aventura de nossos passos, há momentos de mutação, de salto qualitativo, de alquimia pura, através do milagre do Encontro...

Já no capítulo I, o ensinamento sobre as três ecologias e as três consciências.

Pronto! Não preciso dizer que o livro, de início, já me encantou.








domingo, 2 de agosto de 2015

Imagens que despertam lembranças

Foto: Paulo Barros

Essa imagem, colhida de um perfil do facebook, me é familiar. Fui criada passando férias no sítio do meu avô, João Paulo, onde era comum o uso da vestimenta de couro. Sempre que adentrava o mato à procura do gado, meu avô se vestia dessa forma. Creio que para se proteger, pois a vestimenta de couro evitava ferimentos quando precisava entrar em mata fechada, correndo em cima de um cavalo.

A casa, ao fundo, também desperta lembranças. Assim, também, era a casa de meu avô. Toda alpendrada e cercada por parapeitos, onde sentávamos a observar a paisagem em torno, composta por um açúde e um curral de gado na lateral da casa. No terraço, debulhávamos o algodão e o feijão retirado da roça e a noite, nos reuníamos para conversar ou jogar, até certa hora da noite.

Lembro que era comum a chegada de muitos vaqueiros vestidos em seu jibão de couro, de passagem pelas terras de meu avô e que, almoçavam, davam água ao gado e muitas vezes pernoitavam. Receber aqueles vaqueiros era um gesto muito espontâneo por parte de meu avô. Creio que uma troca de gentilezas, pois, meu avô, volta e meia, também saia com boiadas e, de certo, era recebido da mesma forma por onde andava. 

Minha infância foi por demais marcada com os quadros do sertão. Uma imagem como a que ilustra esse texto desperta muitas lembranças e reaviva muitas emoções.


sábado, 1 de agosto de 2015

O Correio do Céu nunca se interrompeu. Cartas espirituais existem.


Decidi escrever esse post porque fui procurada por uma pessoa que me pediu para verificar a autenticidade de uma “carta dita mediúnica”, recebida de um familiar que desencarnara recentemente. Perguntei-lhe o que achava da carta e a mesma respondeu: “Não sei se é verdadeira, pois, tudo o que aí está é do conhecimento de todas as pessoas. Esperava por outro tipo de informação”.

Expliquei que a autenticidade de uma carta espiritual só pode ser atestada pelos familiares que, conhecendo o linguajar do comunicante e os dados fornecidos, muitos de conhecimento apenas da família, fará com que a carta seja reconhecida como verdadeira ou descartada como falsa.

Uma coisa é certa, a pessoa que partiu não esqueceu o nome de seus familiares. E porque não se refere aos familiares pelos nomes? Porque tendo tantas revelações a fazer, refere-se apenas a fatos de conhecimento de todos? Não estaria ansioso para transmitir consolo, esperança e esclarecimento à família, acerca da sua nova realidade?

Quando na carne e se distanciava da família em viagens, os relatos não se referiam aos locais visitados? E porque, agora que se deparou com uma realidade inusitada e recebe a oportunidade desse contato com a família se detém em fatos de menor interesse, deixando essa lacuna no desejo de familiares que queriam saber mais acerca da sua nova realidade?

Devemos refletir, seriamente, sobre essas questões, pois, nos orienta o codificador da doutrina espírita, Allan Kardec, ser necessário passar tudo pelo crivo da razão e da lógica. Isso também é caridade com a divulgação da Doutrina Espírita e com familiares que, sofridos, buscam consolo e esclarecimento no Espiritismo.

E que nós, os espíritas, à frente do movimento espírita na cidade de Parnaíba, fiquemos atentos a essas manifestações desprovidas de compromisso com a doutrina que abraçamos e que, dessa forma, passa a ser vista de forma não criteriosa. Que tudo possa ser muito bem analisado antes de ser divulgado. Esse o critério da Doutrina Espírita.

Como diz o Espírito Emmanuel, mentor do saudoso médium Chico Xavier, “O correio do céu nunca se interrompeu”. Cartas espirituais existem. E quando são verdadeiras e chegam aos familiares, levam consolo, esclarecimento, esperança e alegria. Jamais dúvidas. E o que é pior, dúvidas quanto a autenticidade e a seriedade da doutrina espírita.